Paralelas
Esta postagem foi publicada em 1 de novembro de 2013 e está arquivada em Paralelas.

De coração

roseli santosNasci em São Leopoldo, moro em Taquara desde sempre, mas acho que meu coração é igrejinhense, em sintonia com algumas afinidades que tenho com aquela comunidade. Devo ao jornalismo o conhecimento, a experiência e as vivências que só me enriqueceram em todas as cidades da região.
Igrejinha, especialmente, me encanta por várias coisas com as quais me identifico, como ruas limpas, jardins floridos, a educação das pessoas e os amigos que tenho, muitos deles há anos. Foi a Oktoberfest, e lá se vão 26 anos desde a primeira edição que cubro para rádio e jornal, que me apresentou uma cidade que é exemplo de solidariedade e voluntariado.
Essa, com certeza, a maior virtude dessa gente trabalhadora no dia a dia e também incansável nas horas de folga, dedicando-se a uma festa que é muito maior do que se poderia imaginar, graças a milhares de cidadãos engajados voluntariamente para que o maior número de pessoas seja beneficiado com o lucro do evento.
É tão grande esse empenho que, hoje, a Oktoberfest agrega pessoas e beneficia entidades de vários municípios da região, expandindo o leque de ações em solidariedade; construindo o bem comum; apostando na única forma de se diferenciar diante do individualismo crescente.
Não tenho dúvidas de que essa cidade é um modelo de comunidade para o Brasil todo. Não tenho dúvidas, também, de que muitas outras poderiam ser iguais ou melhores se tivessem boa vontade, especialmente política, para alavancar humanidade, dignidade, orgulho e muito mais para seus habitantes.
Na prática, sobram queixas e reclamações, quando o melhor seria arregaçar as mangas e fazer acontecer. Claro que Igrejinha tem problemas como as demais cidades da região, mas tem muito mais força o seu espírito de voluntariado, capaz de transformar quem acompanha tudo isso de perto, o ano todo, e não apenas nos dias da Oktoberfest.
Tenho lá algum rastro germânico no DNA por parte do meu avô materno, o que não contribuiu em nada para que eu falasse uma palavra sequer em alemão. Também não gosto de bandinhas e nem de chucrute. O chope me agrada, mas não é isso que mantém esse vínculo.
O melhor de uma cidade é sentir-se parte dela e gratificado por contribuir para o desenvolvimento de seus habitantes. E é essa sensação de “pertencimento”, mesmo sem residir neste local, que talvez me una de coração a essa comunidade e a outras, também, da região e de outros estados, embora não com essa sintonia.
O exemplo do voluntariado reverbera na Oktoberfest, ainda que a cidade respire solidariedade silenciosamente todos os dias do ano. E antes que me julguem uma desertora, lembro que é em Taquara que tenho um projeto voluntário de incentivo à leitura há 10 anos, com parceiros de Igrejinha, com muito orgulho.
O lugar onde moramos pode ser só um detalhe ou uma circunstância de vida. A diferença somos nós e o quanto somos capazes de ousar, ser e pertencer. O resto é consequência.

Os artigos publicados no site da Rádio Taquara não refletem a opinião da emissora. A divulgação atende ao princípio de valorização do debate público, aberto a todas as correntes de pensamento.
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