Há alguns anos, lembro de ter lido a seguinte frase no ônibus do Teatro Teleco: “O sonho nos dá o que a vida nos nega”. Era um convite ao lúdico, à descontração, à animação, à vida. Neste mês, a burocracia exigida pelos municípios onde a companhia se apresentava tirou de nós os sonhos que o palhaço Teteco e sua turma nos davam. Sem suportar as barreiras criadas na instalação da estrutura de apresentação, o circo encerrou suas atividades no dia 15.
Pois é, meu caro amigo Teteco, “é bucha!”, como o senhor diria, mas os governos não vêm se preocupando como deveriam com a arte produzida pelos circos. Aliás, o único picadeiro onde palhaços são valorizados fica em Brasília e se chama Congresso Nacional. Lá, pode rolar o que quiser, desde deputado presidiário que não perde os poderes políticos até presidente da Câmara dos Deputados que utiliza avião da Força Aérea Brasileira (pago por nós) para levar uma noiva e parentes dela ao jogo da seleção no Maracanã. Aplausos para eles, que é merecido!
Mas, a triste realidade nos diz que, dia a dia, circos como o Teleco estão em fase de extinção. Cruel, não acham? Pois é, os meus e os teus filhos talvez não conheçam a magia que se esconde por debaixo das lonas de um picadeiro. Talvez não tenham o desgosto de falar futuramente que têm medo de palhaços, pois podem não conhecê-los.
Apesar do cenário barato, das piadas bagaceiras, da improvisação dos personagens, que, muitas vezes, não suportando as irreverências do palhaço Teteco, riam com a plateia, o Circo Teleco deixará saudades.
Cristiano Vargas


