Big Bang
O universo, por ser vasto e infinito, nos envolve em mistérios. Quando reduzido ao que nos é mais próximo ou de nosso conhecimento, torna-se um mundo mais palpável, menos assustador. Quando nos propusemos a discutir o universo feminino como tema no último sarau, não sabíamos ao certo por onde começar e nem aonde aquilo iria terminar.
E a beleza do encontro foi justamente o entrosamento e a enriquecedora troca de ideias entre as convidadas Érica Ostrowski, Fabiana Torres, Inge Dienstmann e Maria Salete Sampaio Hahn. O universo pessoal e profissional de cada uma pode ser compartilhado com o público, entre textos e músicas, entre riso e emoção, entre lembranças e desabafos.
Por isso, acredito que a palavra universo realmente se enquadre na infinidade de possibilidades, de tarefas, de atividades, de afazeres, de dupla jornada e infinitos papéis que as mulheres desempenham hoje, nem sempre com o devido respeito e reconhecimento. É delas a responsabilidade de arcar com a multiplicidade de coisas, muitas vezes além de sua capacidade física e emocional. E é das mulheres, também, o desafio de questionar seu papel e o caminho que seguem, sempre com a possibilidade de voltar atrás e jogar tudo para o alto. Por que não?
Sem limites, o universo feminino está sempre em expansão, em constante movimento, em permanente busca, em rotação, transmutação. Seres em simbiose com o cosmos, em rota de colisão, dispersos em partículas que podem se desagregar a qualquer momento ou explodir em realizações, em alegria, em satisfação, em beleza de mulher.
A dita e almejada igualdade com o sexo masculino, tão apregoada por algumas mulheres, se esvai em diferenças que insistem em aflorar, marcantes, fundamentais para mantermos a nossa identidade, sem nos transformamos em outra coisa, senão nós mesmas. Únicas, femininas, vaidosas, iguais nos desejos, nos anseios, na ambição, na luta pela sobrevivência, no esforço para criar os filhos, no desempenho profissional.
Mas diferentes dos homens na essência delicada da alma, na fragilidade que transparece quando menos se espera e na emoção de ver o mundo como mulher. Um senhor universo sempre em expansão até que exploda em um novo Big Bang, capaz de se recriar infinitamente.
Roseli Santos
Jornalista
Esta postagem foi publicada em 5 de junho de 2009 e está arquivada em Caixa Postal 59.


