Haiml & etc.
Esta postagem foi publicada em 22 de novembro de 2013 e está arquivada em Haiml & etc..

Não creio em bruxas, mas que existem, existem

Nesses tempos de Halloween, tal assunto cai bem. Todo mundo sabe que o título acima é um antigo dito, mas aqui amplio o universo das bruxas aos fantasmas, espíritos, aparições e outras coisas que perambulam longe dos olhos de muitos.
Lembro então dos realitys de caça-fantasmas, ghost hunters, e não sei como tais programas fazem tanto sucesso, pois nunca se enxerga nem se ouve nada direito do que os caçadores dizem estar vendo ou ouvindo; nunca fica nada de realmente concreto (expressão estranha neste caso) de alguma presença “fantasmagórica real” entre eles. Nos programas que mostram recriações de assombrações, muitos dos fatos são manipulados, há muita mentira inventada por gente que precisa de grana, que muito rola para recriar supostas verdades e manter o público em audiência.
Não quero dizer, porém, que descarto a hipótese de que dentro deste nosso plano, ou de outros planos, não estejam lá espíritos, fantasmas e outras criaturas. De qualquer forma, nunca testemunhei nenhuma delas, nunca fui abençoado com uma visão santa ou angélica ou aterrorizado por espectros perturbados ou demônios de outra dimensão. Embora saiba que pessoas fidedignas o tenham sido. O que penso é que muito do que ocorre aqui na Terra é tão ou mais surreal quanto à aparição de tais seres.
É por essa época, foi em outubro, que deixou este nosso mundo um dos escritores maiores do suposto Oculto, Edgar A. Poe. A lenda forjou tal nome e suas histórias numa moldura sobrenatural, mas, na verdade, Poe não diz que o além é o responsável, e sim as desmedidas dos personagens, que depois trabalham em conjunto com o que os cerca em seus cotidianos e com a dimensão sobrenatural. É algo que Stephen King, por exemplo, herdou de Poe e usa tal recurso à última potência, pressionando seus personagens entre os horrores daqui e os de lá (ver seu clássico “O iluminado”)  unindo fantasmas de verdade aos destemperos da vida humana.
O horror que está nos jornais, nos noticiários, nos Datenas da vida, naqueles detestáveis programas de lavação de roupa suja – sejam falsos ou verdadeiros; o horror que passam cidadãos e soldados bucha-de-canhão nas guerras, não importa o lado (assistam “O pianista”, leiam “Nada de novo no front”); as coisas perturbadoras as quais o ser  humano sujeita outro ser humano, ou outro ser vivo, dá de dez em qualquer episódio de “The Walking Dead”, que já é uma metáfora do inferno que se alastra sobre o planeta.
O horror que temos que tentar parar é o que enxergamos todos os dias ao nosso redor, o resto são só estórias para distrair e brincar de assustar. O monstro é real, está em nós, e entre nós.

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