Caixa Postal 59
Esta postagem foi publicada em 13 de dezembro de 2013 e está arquivada em Caixa Postal 59.

A Fênix que habita em cada um

Ano que se encerra ano que se inicia…
Coragem de olhar e se deixar olhar
Mostrar qualidades
Mostrar limitações
Aceitar fragilidades

Ciclos que se fecham
Ciclos que se iniciam
Processos que se perpetuam
Encontros e desencontros…

Partidas e chegadas
Momentos…

Momentos singulares…
Vidas que morrem
Vidas que renascem
Renascer! Como pode ser isso?

Lendo, na mitologia grega, sobre aquela ave que renasce das cinzas, passo a pensar que em muitos momentos nos comportamos como uma Fênix. Recolhemo-nos para nos fortalecer e para poder ressurgir e iniciar um novo ciclo.
Isso me leva a pensar também que, apoiados em outra cultura, a Cristã, celebramos, neste mês, o nascimento de Jesus. Tal como no mito grego, é a Vida que se renova no pensamento, na esperança de que o Ano que finda leve consigo as dores, antigas ou recentes, e que o Novo que chega possa trazer boas novas.
Momento no qual, em muitos lares, as famílias estarão relembrando pessoas que partiram, ponderando sobre o amor, pensando no futuro. E o final de ano torna-se momento de reflexão e de projeções de sonhos…
O que falar então quando essas reflexões nos remetem a saudades de entes queridos que hoje não mais estão junto a nós fisicamente?  Vêm à tona momentos felizes ou até mesmo de conflito. Surge a culpa por se ter ficado e o outro partido, por não se ter feito tudo o que se poderia…
Mas falar de uma ausência quando ela se faz presente a todo o momento e em todos os espaços é algo que não temos como dimensionar em palavras; apenas sentimos.
Nesse sentido, podemos dizer que cada um lida com seu luto de uma forma muito singular: alguns negam, outros se deprimem, outros atuam. Enfim, cada um elabora e busca para si algo que o conforte e que faça com que essa dor torne-se suportável.
Toda essa reflexão que faço deságua na Psicopedagogia, ciência que estuda as modalidades de aprendizagem. E falar de aprendizagem é algo que nos remete ao estudo dos aspectos que envolvem a construção de conhecimentos. Remete-nos aos aspectos objetivantes (daquilo que é real, concreto, conteúdos) e aos aspectos subjetivantes (daquilo que o próprio sujeito elabora a partir de suas relações, de sua estrutura, de sua vivência).
Nesse ponto, volto a falar sobre as experiências com relação ao LUTO. Associar VIDA e MORTE revela movimentos que promovem energia, mas que trazem conflitos para quem os vivencia. E exatamente por isso passa a ser um momento de aprendizagem, e como tal, esses movimentos de LUTO são vividos a todo o momento: para que se aprenda é necessário que se deixe entrar algo novo. No entanto, a presença do que já era conhecido fica como um elemento ausente e presente ao mesmo tempo na sua complexidade e estrutura fundante para as relações de aprendizagens possíveis.
Como diz Mirta Stamatti, psicanalista argentina “O pensamento é o único com que conta o aparelho psíquico para alcançar o nível mais alto de ligação. E, não esquecer, ligação é Eros, é complexidade, é vida versus o curto-circuito da morte”.
Que possamos em 2014 iniciar novo ciclo de vida como a Fênix, aprendendo com as vivências anteriores e construindo novos espaços de aprendizagem.

Izabel Cristina Ludwig
Supervisora educacional e psicopedagoga, de Taquara

Os artigos publicados no site da Rádio Taquara não refletem a opinião da emissora. A divulgação atende ao princípio de valorização do debate público, aberto a todas as correntes de pensamento.
Participe: [email protected]

Leave a Reply