Caixa Postal 59
Esta postagem foi publicada em 12 de junho de 2009 e está arquivada em Caixa Postal 59.

CAIXA POSTAL 59

Cine Cruzeiro

O Cine cruzeiro vive. Apenas na minha lembrança, mas vive. A gritaria das matinês, as disputadas noites de domingo e a primeira sessão com a namorada a gente nunca esquece. Algumas desconheciam tal condição, mas isso é outra história.
A geração atual ignora o antigo ritual. Pesadas cortinas rubras pareciam separar o real do abstrato. A luz difusa ampliava o clima onírico. De repente… a escuridão. O velho Canal 100 era precedido por uma algazarra generalizada. A tela imensa impunha um respeito que nenhum monitor de computador será capaz.
Romance, aventuras e demais fantasias, ganhavam ali contornos de realidade. Durante as projeções, sustos, risos e alguma lágrima furtiva faziam parte do espetáculo. Muita gente saía dali acreditando que um homem realmente podia voar. Inesquecíveis também eram as noites de quarta-feira, muito ilustrativas, que tiveram seu valor.
Tudo sucumbiu diante do inevitável avanço tecnológico. Começou com a era de ouro das fitas VHS, passando pelos games e o DVD, culminando com a popularização da internet, que revolucionou a comunicação, mas também a pirataria crescente. Tudo somado levou ao fechamento de inúmeros cinemas em escala mundial, deixando um legado irreversível. Cinemas hoje sobrevivem basicamente nos grandes centros urbanos, localizados, na sua maioria, em shoppings.
Os fatores citados acima de alguma maneira já exerciam influência na minha derradeira sessão em uma noite chuvosa de sábado. O descaso era evidente: poltronas depredadas, poucos pagantes e chovia mais dentro do que fora. Algumas semanas depois as cortinas se fechariam para sempre. Novamente sem cinema em Taquara, essas memórias ficam ainda mais vivas.
A sétima arte não é mais a mesma daqueles tempos, em que, ao contrário de hoje, as emoções eram coletivas, não veladas. O Cine Cruzeiro vive.
Márcio Renck

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