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Esta postagem foi publicada em 20 de dezembro de 2013 e está arquivada em Penso, logo insisto.

Insolência

professor plinioDo meu tuíter @Plinio_Zingano – Seja amigo de médicos e ministros religiosos. Uns cuidam do antes; outros do “depois”. Mas jamais esqueça do fiscal do Imposto de Renda.

INSOLÊNCIA

Eu estava pensando denominar esta crônica de “inveja”, pois mostro, aqui, um demônio a me corroer as entranhas. Ao mesmo tempo, porém, falo de quem provoca este feio sentimento. Então, numa ação típica de um invejoso, numa tentativa de justificar-me, resolvi abordar o tema pelo ângulo do provocador e esse ângulo é a insolência. Vejamos do que estou falando.
Somei o tempo passado como aluno nas escolas. Cinco anos de Primário; quatro anos de Ginásio; três anos de Científico; quatro anos de Licenciatura em Pedagogia, com habilitação para lecionar a futuros professores; um ano de Especialização em ensino de língua e literatura; dois e meio de Mestrado em Ciências da Comunicação. Somando tudo, fiquei quase vinte anos indo à escola (isto porque omiti os dois anos de reprovação no Cientifico; se não o fizesse, meu tempo de bancos escolares seria próximo dos vinte e dois anos). Sempre fui um bom aluno e, mesmo com as duas repetências, aproveitei bem o tempo em termos de formação cultural. Posso concluir: o mundo acadêmico, para mim, não é um bicho de sete cabeças. E gosto muito dele, embora tenha algumas diferenças formais com os textos produzidos por acadêmicos de qualquer nível. Qualquer nível, faço questão de frisar. Do texto, conheço todos os in, apud e, principalmente, sic. Ou seja, estou na área!
Apesar dessas diferenças formais, não nego a minha vontade de voltar a lecionar no Ensino Superior. Tive uma passagem meteórica, um semestre, no curso de propaganda da FACCAT, como professor de Redação Publicitária. Depois, não fui mais chamado. Àqueles que me perguntam donde vem esta fixação por trabalhar numa faculdade/universidade, respondo o óbvio: eu me preparei para isso. Mas tem sido uma luta inglória, muitas vezes encerrada pela expressão técnica “falta de aderência”. Quer dizer, o professor só pode atuar na área de sua graduação e pós-graduação. Não importam suas habilidades, às vezes de conhecimento bem público (embora a lei permita). Como minha graduação, minha especialização e meu mestrado foram cada um em área diferente da outra, não aderi a nada. Logo…
Neste ponto entra a minha inveja. Luiz Inácio da Silva, o “vocês-sabem-quem”, no dia 4 deste mês, foi agraciado com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do ABC, em São Bernardo do Campo. Segundo a informação que guardei (Zero Hora, 05/12/2013, p. 10 – esta é uma referência bibliográfica), o homem já recebeu 26 títulos semelhantes entre brasileiros e estrangeiros. Para um sujeito que nunca sabe de nada, esse é um fato de despertar inveja, pelo menos em mim. O pior de tudo, entretanto, é ter de engolir suas declarações de que não há explicação para o Brasil não ter universidades entre as 100 melhores do mundo.
Discordo, Sr. Silva. Dos seus doutorados estrangeiros não posso falar nada, pois cada louco com sua mania. Mas dos brasileiros sim. Esses representam a qualidade acadêmica faltante, mesmo dentro dos preceitos legais. É muita insolência de sua parte ainda reclamar!

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