Paralelas
Esta postagem foi publicada em 17 de janeiro de 2014 e está arquivada em Paralelas.

Calcinha vermelha

IngeJoana passou por Roberto carregando um punhado de roupas recém colhidas do varal. Deixou cair uma calcinha vermelha bem em frente ao rapaz – a mais bonita entre todas as que ela recolhera – pequenininha, com um detalhe em renda transparente. E fez aquilo sem qualquer traço de rubor no rosto, nem alterou o ritmo do andar, sequer olhou para Roberto. Os amigos que o rodeavam, calaram-se, boquiabertos.
O jovem, que nunca antes reparara em Joana, sentiu o diafragma paralisar o abdômen de tanquinho. O coração, no entanto, ameaçava transpor a tripla camada de músculos do peito. Acostumado a todo tipo de abordagem do sexo oposto, Roberto achava-se imune a surpresas neste âmbito. Pois “caíram-lhe os anabolizantes dos bolsos”!
Nos dias que se seguiram, ele não conseguia tirar Joana do pensamento. Como é que uma garota que sempre se mostrara tão sem sal fora fazer aquilo com ele? Roberto lembrava bem das muitas vezes em que ele e os amigos riram de Joana e de suas amigas do time das “barangas”. Se bem que no grupo dela tinha a Taís, a gostosa que não dava bola para Roberto e seus amigos, e que por despeito eles taxaram de loira burra. Pois agora Roberto não conseguia pensar noutra coisa que não fosse a safadeza de Joana, e nem os peitos fantásticos de Taís mais lhe passavam pela cabeça. Que diriam os amigos do time dos garanhões do bairro se soubessem o que se tornara uma obsessão para ele – logo ele, o Betão?
Vencido pelo desejo, Betão começou a se esforçar para cruzar os caminhos de Joana. Mas a dissimulada nem parecia notá-lo. “Tá fazendo jogo duro” – inflamava-se Betão.
Transcorridas muitas tentativas infrutíferas de abordagem, Roberto deixou o orgulho de lado e foi direto aos fatos. Esperou por Joana num horário em que ela costumava voltar do trabalho e ficou aliviado em ver que Joana não estava com o grupo de amigas. Só Taís a acompanhava naquele momento. Mas ele não iria mais adiar, e ainda por cima daria um passa fora em Taís, que se achava o último biscoitinho do pacote.
Betão encheu seu peitoral musculoso de coragem, puxou a calcinha vermelha do bolso e, erguendo-a na altura do nariz de Joana, tascou:
– “Vai fingir que nunca me provocou com isto!”
– “Seu depravado idiota! Então foi você que roubou a calcinha da Taís do varal!” – bradou Joana, arrancando a peça vermelha da mão do boquiaberto rapaz. Em ato contínuo, puxou Taís pela mão e arrastou a sinuosa loira para dentro de casa. Betão ainda nem se recuperara, quando viu as duas jovens se beijarem na boca, aparentemente em frenética reconciliação.

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