Não se fala em outra coisa, e nem poderia ser diferente, com esta sucursal do inferno que se transformou o Rio Grande do Sul e outras capitais brasileiras. Calor, muito calor, é o que se ouve até debaixo d’água, à beira mar, na piscina, com split, cerveja gelada, de biquíni ou pelado. É calorão de assar na sombra, torrar no sol e suar até quase derreter.
Ainda assim, corro o risco de ser linchada por afirmar que amo o verão e reverencio o sol como minha fonte de energia. Tá certo que ultimamente me rendi ao chapéu, reforcei o protetor solar e, quem me conhece vai estranhar, tenho tomado muitos banhos de mar nestas férias. Logo eu, rata de praia, capaz de ficar horas caminhando ou me espreguiçando na areia sob o sol, apenas contemplando as ondas da orla. Se bobear, passo 30 dias sem molhar os pés.
Desta vez, em praias daqui e de Florianópolis, em Santa Catarina, mudei a minha rotina e já me atrevo a molhar a cabeça na água, mas não abro mão do sol. Para quem acorda com as galinhas, como faço regularmente até nas férias, ele é um aliado que me motiva a sair da cama, a praticar esportes, a sorrir, a saudar a vida.
Na semana passada, acompanhada de uma grande amiga que me acolheu para uns dias de descanso na praia do Campeche, em Florianópolis, decidimos ver o sol nascer, acordando mais cedo do que o habitual. Sentadas na areia, sorvendo um chimarrão às seis da manhã, juntamente com outros madrugadores, silenciamos diante do espetáculo que dispensa qualquer comentário. No horizonte, por detrás da ilha do Campeche, a grande bola de fogo surgiu, alaranjada, colorindo o mar e nossos olhos, encantados de emoção.
Suave nas primeiras horas da manhã, o sol já se mostrava inclemente poucas horas depois, aquecendo a terra, o mar e a nossa pele. “Hoje vai ser mais um dia daqueles”, foi o que comentamos, sabendo que o astro rei não daria trégua por lá também, mas gratas por tê-lo como companhia e por podermos ter o privilégio de assistir a um dos espetáculos mais lindos do planeta.
Pensei no tempo que desperdiçamos dormindo além da conta, correndo para ganhar mais e mais dinheiro, se estressando por bobagens, reclamando da vida, do calor, de tudo, e dedicando tão pouca energia na contemplação pura e simples do astro sol, por exemplo, que, mesmo em tempos de calor extremo, nasce e se põe todos os dias nos presenteando com luz e vida. Amanhece suave para seguir imponente até o entardecer, e morre entre montanhas, ressuscitando no outro dia e recomeçando novamente o seu ritual, para a felicidade de quem, como eu, ama esse afago da mãe natureza (embora causticante nos últimos dias).
Ainda em férias na praia, sei que o final de semana promete! E, a não ser que chova hoje ou amanhã, prepare-se para mais dias de calorão. Não é fácil, mas tem coisa bem pior, como o inverno, por exemplo.
(Para a minha amiga Adriana Schein pelos momentos de contemplação e amizade, antes e depois do sol).
(Para a minha amiga Adriana Schein pelos momentos de contemplação e amizade, antes e depois do sol).


