Quando voltou de sua viagem a Portugal, na última sexta-feira, Orivaldo Edegar Haag (foto), 69 anos, trouxe nas malas parte do mundo: comprou camisetas fabricadas na Itália, chapéu confeccionado na China, cuecas vindas de Bangladesh e, claro, muitos souvenirs lusitanos. O catador de materiais recicláveis, que foi levado para além do Atlântico pela devoção à Nossa Senhora de Fátima, viajou com os lucros das vendas de garrafas PET e latas de alumínio.
Mas não apenas roupas e lembrancinhas voltaram com ele. Há também histórias. Se lhe falta voz em virtude das cordas vocais atingidas por um câncer de laringe cinco anos atrás, sobram-lhe expressões para contar as experiências. Em pé, com as mãos gesticulando rapidamente, ele relembra que se perdeu logo no primeiro dia, ao dar uma volta próximo ao albergue onde ficou hospedado, em Lisboa. “Era quatro e meia da tarde quando comecei a ficar nervoso. Não sabia como voltar. Pedi a uns turistas, mas não entendi o que falavam. Aí passou um português, mas era muito grosso, e não me ajudou. Acabei pegando um táxi. Foi o jeito”, revela.
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