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Uma vida dedicada à alegria: palhaço Saparin atua em Taquara diariamente

TAQUARA – Todos os dias, Vanderlei José de Souza acorda cedo e pega o ônibus às 6 horas, partindo de

TAQUARA – Todos os dias, Vanderlei José de Souza acorda cedo e pega o ônibus às 6 horas, partindo de Novo Hamburgo, onde reside, para Taquara. Devidamente caracterizado e com uma incansável alegria no semblante, transforma-se no Palhaço Saparin (mistura de sapo com passarinho) e dedica o dia a arrancar sorrisos alheios, na sinaleira.

 

É no entroncamento das rodovias ERS-020 e ERS-239 (próximo à Cootal) que ele passa o dia, de segunda a segunda, enfrentando o sol e a alta temperatura das tardes de calor. Faz malabarismo, atos de equilibrismo, cria versos, conta piadas, faz brincadeiras e até interpreta músicas, soprando um pedaço de capim como se fosse apito. Em troca, recebe moedas para garantirem-lhe o pão e sorrisos, como motivação ao trabalho que aguarda no outro dia.

 

Saparin está há cerca de dois meses em Taquara, mas sua história com o circo iniciou em 1961, quando entrou para o Circo Continental, aos 12 anos. “Tive uma infância difícil, pois meu pai era presidiário e minha mãe, sozinha. Então, um dia, dois senhores me levaram para o circo. Comecei vendendo bala, mas logo o pessoal me ensinou alguns números”, contou o palhaço. “Depois de muito tempo lá acabei indo trabalhar na sinaleira, em Novo Hamburgo. Recentemente ela entrou em obras, então passei por Sapiranga e Parobé até chegar a Taquara, onde fui muito bem acolhido”, informou.

 

Apesar das dificuldades e das cicatrizes causadas pelo tempo, Palhaço Saparin é grato à vida que tem. “Sou cristão e nunca fumei, nem bebi, mas sempre fiz muita gente sorrir”, rimou. “Sabe, já enfrentei muitas coisas ruins, perdas e doenças, como diabetes e câncer. Mas agradeço a Deus pelo destino que ele me deu. Sou grato e feliz por poder levar a minha vida deste jeito, para fazer as outras pessoas sorrirem”, afirmou o palhaço de 65 anos.

 

Matéria especial publicada na edição impressa de 19 de dezembro do Panorama.
Texto e fotos: Guilherme Augusto 

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