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Criação de empregos formais cai nos municípios da região

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho na sexta-feira passada, apontam uma

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho na sexta-feira passada, apontam uma queda na criação de empregos formais na região. Foram abertos 35.083 novos postos de trabalho no ano passado, enquanto que em 2013 este número chegou a 37.056 contratos formalizados. O resultado torna-se preocupante ao analisarmos que há uma diferença negativa de 1.022 empregos com carteira assinada em 2014 na relação entre contratações e demissões (confira tabela acima).

 

O carro-chefe da economia regional é também o maior responsável pelos resultados negativos. Somente o setor da indústria calçadista demitiu 20.661 pessoas no Vale (confira tabela abaixo). A contratação neste segmento chegou as 18,6 mil formalizações. A amarga diferença de dois mil postos a menos de empregos no ramo é apontada por autoridades locais pelas dificuldades burocráticas e a concorrência nacional e internacional. Parobé e Igrejinha foram os municípios onde o corte de vagas teve maior impacto: foram 10.769 demissões somente neste setor.

 

O secretário de Desenvolvimento Econômico de Parobé, Samuel Ruiz Mosmann, avalia de forma preocupante a situação da cidade, que teve um saldo negativo de 455 vagas de emprego entre contratações e demissões. “Tivemos algumas crises, principalmente no setor do calçado. Infelizmente, temos estes números e vamos tentar consertar isto”, ponderou. A partir da operação do loteamento industrial do município, Mosmann acredita que a cidade expandirá empresas locais e atrairá novos empreendimentos. “Continuaremos com nossos projetos, como o empreendedor de sucesso, em parceria com o SEBRAE, que busca qualificar a gestão dos pequenos empresários.”

 

A questão também é alarmante para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Calçados de Parobé, João Pires. Ele afirma ter cobrado das autoridades iniciativas para diversificar a economia municipal, “para não ficarmos reféns de apenas um setor, como é o caso do calçado, que hoje é responsável por mais de 70% da arrecadação da cidade”. Os problemas no setor calçadista atingem de forma mais grave os ateliers. De acordo com Pires, foram fechados cerca de 20 pequenos empreendimentos deste segmento na cidade. “Estou confiante na Couromoda, que foi positiva nas vendas. Acredito que ajudará a recuperar estes postos de trabalho. É preciso termos ações mais objetivas do poder público, agir com mais coragem, para que possamos ver algumas perspectivas diferentes para os trabalhadores.”

 

O final de 2014 concluiu com o fechamento de uma das empresas mais antigas de Igrejinha. A fábrica Top Vision encerrou as atividades no município, deixando de gerar mais de 200 empregos. A concorrência com outros mercados e as dificuldades burocráticas são apontadas pelo secretário de Desenvolvimento Econômico Municipal, Dalciso Oliveira, como responsáveis pelos problemas no setor calçadista.

 

Uma forma de garantir que o setor volte a crescer, para Oliveira, é desonerar a folha fiscal para o empresário. “Isto acarreta no preço final, que é alto. Fora contar que temos uma concorrência grande, principalmente com o mundo asiático”, salienta. O valor pago pela hora trabalhada da mão de obra – maior do que outras cidades – também é um dos desafios dos empresários igrejinhenses. “Vivemos no mesmo solo, falamos na mesma língua, mas na hora de calcular o produto, outros estados têm um custo menor do que o nosso”, lamenta. Ele reforça que a cidade é líder na região na formalização de pequenos micro-empreendimentos individuais. Foram 533 no ano passado, uma média de 40 ao mês.

 

O vice-presidente do Sindicato dos Sapateiros de Igrejinha, Dirceu Alves, encara o momento como um fenômeno natural do calçado. Situações como esta já aconteceram em outros anos, mas, em 2014, alguns agravantes, como as baixas vendas durante a Copa do Mundo, contribuíram para um cenário mais preocupante. “Sentimos que o mercado calçadista não evoluiu o que estávamos esperando.” Outro problema que Alves aponta é a falta de preparo e interesse dos mais jovens em atuar no ramo. “Tínhamos mão de obra muito boa que hoje está se aposentando. A nova leva não atinge a necessidade do mercado”, salientou.A cidade de Taquara teve um déficit de 75 vagas de emprego no ano passado.

 

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Agricultura e Pecuária, Idalci Renato Lamperti, aponta a destruição em um incêndio de uma filial da Calçados Beira Rio, no bairro Santa Teresinha, como um dos fatores para a realidade. Ele recorda que as fábricas Di Cristalli, Ana Vitoria Calçados e Usaflex ajudaram a absorver a mão de obra prejudicada. Com a vinda de novos empreendimentos ao município, Lamperti acredita que 2015 será um ano melhor.

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