Nove meses depois de ter sido anunciada e não colocada em prática, uma campanha comunitária visando a arrecadação de recursos para a construção do novo quartel do Corpo de Bombeiros de Taquara não tem prazo para iniciar. Na semana passada, pela primeira vez desde que a campanha foi divulgada (em maio do ano passado), veio a público impasse envolvendo a cedência do terreno destinado à corporação, que deverá ser transferido ao governo do Estado. No ano passado, a Prefeitura revelou a intenção de trazer de volta o quartel para a rua Tristão Monteiro, no mesmo terreno que sediou a corporação anos atrás.
As novas revelações sobre o tema aconteceram numa reunião no Legislativo, proposta pelo vereador Roberto Timóteo (PP). Além dele, participaram do encontro o secretário municipal de Segurança e Trânsito, Paulo Cézar Möller, o procurador da Prefeitura, Gilberto Bittencourt, além de outros vereadores e representantes da comunidade. Timóteo abriu a reunião enfatizando a importância da transferência do quartel do Corpo de Bombeiros para a área central para diminuir o tempo de resposta da corporação, hoje considerado elevado, o que dificulta no combate aos incêndios.
O procurador da Prefeitura explicou o novo impasse envolvendo a cedência do terreno. Segundo Gilberto, a área na rua Tristão Monteiro foi adquirida em 1969, mas a documentação que remetia a propriedade ao Executivo estava em condição precária, com falhas nas metragens. A Prefeitura teve que fazer um levantamento topográfico, chegando à conclusão de que a área pertencente à administração corresponde a pouco mais de dois mil metros quadrados. Com isso, a Prefeitura levou a documentação ao Registro de Imóveis, que invocou dúvidas para não fazer a escritura. A administração municipal, então, ajuizou uma ação no Judiciário, no começo de fevereiro, pedindo a retificação do registro, a fim de regularizar a situação do terreno. Apesar de ter feito um pedido de liminar, o procurador disse ser impossível estimar prazos para uma decisão da Justiça.
O secretário de Segurança explicou que, somente após a regularização do imóvel, será enviado à Câmara de Vereadores um projeto de lei para a doação do terreno ao governo do Estado, visando a instalação do Corpo de Bombeiros. De acordo com Paulo Möller, a campanha comunitária para a arrecadação de recursos somente será organizada após a regularização da questão legal envolvendo a área. Para o secretário, não havia como realizar esta campanha com as dúvidas pendentes em relação à situação legal do terreno. Möller lamentou este entrave sobre o terreno, destacando que até para a administração foi uma novidade o problema, pois a área sempre foi utilizada pela Prefeitura, inclusive sediando a Secretaria de Obras em anos anteriores. O secretário lamentou ainda que outras administrações não providenciaram a regularização do imóvel.
Comandante: falta de efetivo inviabiliza formar dois quartéis
Consultado pelo Jornal Panorama, o comandante do Corpo de Bombeiros de Taquara, capitão Deoclides Silva da Rosa, esclareceu o seu posicionamento em relação à transferência do quartel. Segundo ele, não há qualquer contrariedade de sua parte à mudança. Contudo, ela deverá acontecer com a transferência completa do quartel, uma vez que não é possível o funcionamento de dois quartéis com o efetivo atual de Taquara.
Segundo o capitão, o local em que está situado o Corpo de Bombeiros atualmente, na ERS-115, próximo à divisa com Igrejinha, é um empecilho à corporação para o atendimento das ocorrências na área central de Taquara, uma vez que o trânsito aumenta o tempo de resposta dos caminhões. Contudo, o capitão lembra que o déficit de efetivo é de 40%. Com isso, não seria possível o funcionamento de um posto avançado dos bombeiros na área central de Taquara, como foi cogitado no ano passado.
Diante do impasse, o comandante disse que o ideal seria a construção de um novo quartel da corporação, que tenha a total estrutura para abrigar todos os veículos dos bombeiros, na área central de Taquara. Com isso, a unidade hoje existente na ERS-115 deixaria de funcionar, ficando destinada apenas a treinamentos e cursos. O quartel passará a ter como sede a área central de Taquara. O capitão vê com dificuldade o governo do Estado repassar recursos para a construção, lembrando os problemas financeiros que vem sendo divulgados pelo Palácio Piratini. Por isso, disse que deverá acontecer uma mobilização da comunidade de Taquara para a construção. O comandante Deoclides pretende se reunir com representantes da Prefeitura de Taquara para dar andamento às discussões sobre o tema.


