REGIÃO – Com a economia brasileira dando vários sinais negativos, a principal entidade empresarial da região prevê um cenário recessivo em 2015. Para a Câmara da Indústria, Comércio, Serviços e Agropecuária do Vale do Paranhana (Cics-VP), a situação atual é complexa, devido a medidas como aumento de impostos e corte de benefícios a empresas, como a desoneração da folha, que foi reduzida pelo governo federal. Neste ano, a Cics-VP ainda terá eleição de diretoria, em abril.
O atual presidente da entidade, Roger Fernando Ritter, conversou com Panorama na semana passada. Segundo ele, o aperto fiscal promovido pelo governo federal provocou medidas como aumento de impostos e redução de incentivos, sendo o principal deles a desoneração da folha, que foi cortada. Com isso, Roger diz que é possível prever aumento do custo e, até mesmo, do desemprego. Nos dados monitorados pela Cics-VP, a região teve um saldo positivo na criação de vagas de trabalho em janeiro, mas Roger entende que foi um resultado sazonal, efeito do mês de dezembro, um dos piores da série histórica.
Ritter chamou a atenção para outro setor que sempre foi forte na manutenção de empregos na região, mas que, neste começo de 2015, também está passando por diminuição dos investimentos: a construção civil. Para driblar esta situação, algumas medidas dependeriam do governo federal, o que Roger entende como difícil alcançar. Entre os problemas, o empresário citou a alta taxa de juros, que deteriora a competitividade das empresas.
Nesta semana, a entidade realizou reunião com os prefeitos da região para discutir o que os municípios do Paranhana podem fazer diante da crise, com projetos visando a integração regional e a diminuição e custos. A entidade também procurou questionar os projetos das seis prefeituras com a criação do Consórcio Regional do Paranhana, recém implantado, em relação das propostas que o órgão vai liderar. No encontro com os chefes dos Executivos municipais, a Cics-VP também procurou saber os projetos em relação à melhoria dos serviços básicos ofertados pelas prefeituras, uma vez que, atendimentos precários também oneram os custos das empresas. O temor, segundo Roger, é de que os empresários se cansem e passem a levar a produção para países com custos menores, importando apenas o produto pronto para o Brasil.
Sobre a eleição de diretoria da Cics-VP, Roger reconheceu que deveria ter acontecido ainda em 2013. Mas por um problema interno, que ele não quis revelar à reportagem, o seu mandato foi prorrogado até este ano. Com isso, na segunda quinzena de abril acontecerá uma nova eleição de diretoria. Segundo Roger, ele não concorrerá neste ano, até pelo que sempre pregou, de renovação nos quadros da entidade.


