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Atrasos em repasses de medicamentos especiais preocupam prefeituras

REGIÃO – Depois da demora na liberação dos valores referentes a repasses para hospitais, o atraso no envio de medicamentos

REGIÃO – Depois da demora na liberação dos valores referentes a repasses para hospitais, o atraso no envio de medicamentos especiais vem tirando o sossego dos municípios da região. Cidades como Taquara e Igrejinha receberão apenas 50% da remessa de remédios solicitados ao Estado neste mês. Conforme apurado por Panorama, os medicamentos são destinados a pacientes em tratamento com câncer, bebês prematuros, entre outros casos.

 

Para entender melhor, é preciso explicar que existem diferentes tipos de farmácias públicas funcionando dentro de cada cidade. A Farmácia Básica, de competência municipal, traz medicamentos acessíveis, enquanto que a Popular e a de antirretrovirais é de responsabilidade do governo federal. Já a farmácia de medicamentos especiais é de dever do Estado. Para ter acesso às drogas, cada solicitante deve encaminhar um laudo de médico especialista com a especificação da enfermidade, a receita dos remédios e outros documentos. A outra maneira de conseguir as substâncias controladas é através de ordem judicial.

 

Taquara tem uma lista com mais de 200 tipos diferentes de medicamentos especiais vindos pelo Estado, totalizando cerca de 900 pacientes cadastrados para recebê-los. A próxima remessa está prevista para chegar na terça-feira, dia 24. Segundo o diretor da Secretaria da Saúde, Vanderlei Villi Petry, foi informado, através da Administração de Medicamentos do Estado (AME), que mais de 50% dos itens solicitados não virão e nem há previsão de quando chegarão. No entanto, não foram esclarecidos os motivos. Em fevereiro, aproximadamente 15% já havia faltado.

 

Medicamentos para transplantados, esquizofrênicos, além de leites para crianças recém-nascidas, com alergia a lactose ou prematuras, estão na lista dos que não virão. “Os municípios precisam unir forças para pressionar o Estado na questão da assistência farmacêutica”, argumenta Petry, contando que a cidade não tem orçamento para arcar com as despesas na compra dos remédios.

 

A situação não é muito diferente em Igrejinha. No último pedido, no dia 26 de fevereiro, vieram faltas significativas, de acordo com a secretária Municipal de Saúde, Simone Amaral. Na próxima carga, prevista para 26 de março, a defasagem nos medicamentos especiais do estado chega a quase 50%. “Temos remédios faltando desde o ano passado”, salienta. Na relação dos 476 pacientes cadastrados há casos com doenças de grande complexidade.

 

Simone conta que quando há atraso nos repasses de medicamentos determinados por ordem judicial o município precisa arcar com a despesa. “São medicamentos especiais, de competência do Estado, a falta deles traz perdas para os pacientes e para o município”. Para tentar amenizar o caso, a Secretaria da Saúde busca ajuda em outras cidades, contatando-as para saber se há possíveis remédios remanescentes.

 

Algumas medicações de responsabilidade do Estado também estão faltando em Parobé. Conforme a diretora da Saúde, Maris Vilande, periodicamente o farmacêutico da cidade vai a Porto Alegre em busca de remédios. “É dever do Estado, e não tem forma legal de comprar isto”, destacou. Maris reforça que a questão teve início em janeiro, vindo a intensificar-se nas últimas remessas.

 

Em Três Coroas a defasagem é bem menor: cerca de 5% dos medicamentos especiais. Nestes casos, o farmacêutico municipal, Luiz Eduardo Moreira, conta que o município busca suporte da Farmácia Estadual. Segundo ele, as faltas começaram a partir deste ano. Cerca de 250 pessoas recebem os itens. A última remessa foi na quarta-feira.

 

Os medicamentos chegam com atrasos desde dezembro do ano passado em Rolante. Cerca de dez itens não estão disponíveis para 297 pessoas cadastradas. Conforme o secretário de Saúde, Régis Zimmer, a questão é delicada, uma vez que interrompe o tratamento dos pacientes. “Quando ligamos para o setor responsável não obtivemos respostas concretas para entregas futuras.” O município vizinho de Riozinho não registra nenhum atraso no repasse dos remédios aos 43 cadastrados.

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