De 6 de fevereiro até 15 de maio, Panorama publicou, na versão impressa, série especial com os vereadores de Taquara. Confira a matéria publicada em 30 de abril com a vereadora Sirlei Teresinha Bernardes da Silveira (PTB).
Eleita em 2012 com 637 votos para a Câmara de Vereadores, Sirlei Teresinha Bernardes da Silveira (PTB) está em seu primeiro mandato no Legislativo. Como prioridade, dá destaque às ações voltadas para a educação, área em que atuou por mais de três décadas, como professora de sala de aula e diretora de escola. Atualmente, a vereadora também cursa Direito, numa forma encontrada para aprimoramento do seu trabalho na Câmara, analisando as questões jurídicas que envolvem cada projeto de lei, e defende a ampliação dos projetos sociais, como uma das formas de diminuir os índices de criminalidade.
Casada com Ricardo Luiz Kleinkauf, a vereadora é mãe de Iana Kleinkauf, 27 anos, e Roana Kleinfauf, 25. Concluiu o magistério em 1979, no Colégio Santa Teresinha, com 16 anos. Antes, a vereadora já atuava em sala de aula, na substituição de professores na mesma escola. Após, prestou concurso na Prefeitura de Sapiranga, onde passou a atuar nas séries iniciais de ensino fundamental e, para sua qualificação, estudou na Universidade Feevale o curso “Estudos Adicionais em Alfabetização”, o que possibilitou, segundo ela, “uma prática docente decente”. A vereadora conta que, na sequência de sua vida profissional, concluiu o curso de Pedagogia, considerado o suporte necessário para continuar na função pedagógica e, também, de gestora de escola pública. A vereadora ainda cursou Especialização em Gestão Escolar, o que garantiu conhecimentos para o cargo eletivo de diretora da Escola Breno Oswaldo Ritter, no bairro Empresa, onde atuou por cinco mandatos, durante 15 anos.
Sirlei conta que “os anos foram passando, a aposentadoria chegando e, junto com ela, os convites para que se lançasse candidata a uma cadeira no Legislativo”. A vereadora lembra que várias siglas a convidaram, mas foi incansável o presidente do PTB, João Luiz Ferreira, que a convenceu a concorrer à vereança, sendo eleita logo na primeira disputa. “Percebendo a importância e a responsabilidade que o cargo eletivo de legisladora municipal trouxe, ainda no ano de 2012 solicitei reingresso e voltei para a sala de aula, frequentando o curso de Direito na Universidade Feevale, na busca de uma qualificação, agora, para exercer esses quatro anos de mandato com uma possibilidade maior de acerto”, contou Sirlei. Para ela, é preciso, enquanto parlamentar, conhecer para poder aplicar a legislação vigente. Desde que assumiu na Câmara, a vereadora participa da Comissão Geral de Pareceres (que terá seu nome alterado para Comissão de Constituição e Justiça), onde analisa os projetos e avalia a constitucionalidade ou não deles. “Para tanto, é preciso estar preparada e agir com a seriedade que o cargo exige”, salientou.
Sobre sua carreira profissional e política, Sirlei destaca que o caminho foi trilhado sem grandes planos, “vivendo cada segundo, na certeza de estar dando o meu máximo no alcance dos melhores resultados, sem ter a pretensão de agradar, mas a obstinação de fazer o que é certo. Por isso, aceito críticas e estou aberta a discutir posicionamentos, com argumentos embasados em uma boa leitura, na legislação vigente, olhando no olho, com verdade e autenticidade”, reforçou.
Fazendo uma avaliação sobre o trabalho da Câmara atualmente, a vereadora disse que está vendo uma atuação conjunta, em que os parlamentares compreenderam de que devem trabalhar todos no mesmo propósito. Com isso, segundo ela, o caminho para fortalecer o resultado é mais curto. Citou como exemplo a questão da construção de um dique para evitar cheias no Loteamento Olaria, no bairro Empresa, uma reivindicação que está sendo adotada por todos os parlamentares de Taquara. A vereadora pontuou ainda a significativa economia de recursos, que tem garantido repasses do Legislativo a várias entidades taquarenses.
Em relação ao trabalho na Câmara, Sirlei pontuou que, muitas vezes, a atuação do vereador é confundida com a do Executivo. A vereadora explicou que a função legislativa é de intermediação das demandas da comunidade. Com isso, quando o poder público não atende as reivindicações, o vereador acaba ficando com a imagem de que não realiza os pedidos, quando quem tem a responsabilidade pelo trabalho é o Executivo.
Vereadora trabalha com foco na área educacional
Na entrevista ao Panorama, a vereadora Sirlei destacou que, no Legislativo, respaldando a educadora que sempre foi, encampa a luta pela criança. Desde 2013, ano em que tomou posse, assumiu a presidência da Comissão de Educação, Cultura e Esportes, sendo uma das suas primeiras lutas, ainda no começo do mandato, a manutenção do Lar das Meninas. O espaço, contudo, acabou encerrando suas atividades em Taquara. Porém, com um trabalho de união entre os vereadores, Executivo e Lar Padilha, Sirlei destaca que foi reinaugurado um novo espaço de acolhimento para as crianças de zero a 12 anos, na área central de Taquara, este mantido pelo Lar Padilha.
Como menina dos olhos de sua atuação, a vereadora elegeu o projeto Bairro Empresa Melhor (BEM), em que mais de 100 crianças e jovens, entre sete e 17 anos, são atendidas com atividades esportivas e recreativas. “Atualmente, os atletas têm oficinas de futebol, capoeira e tênis de mesa, com a possibilidade de incluirmos, para o ano, durante a semana, rugby e atletismo”, comentou a vereadora, que vê nos projetos sociais uma forma de resolver as dificuldades da segurança pública. No entender de Sirlei, a criança agredida hoje, irá agredir no futuro. Já a criança amparada, vai amparar o próximo. Por isso, a vereadora defende a realização de um projeto social por bairro.
Quatro projetos da vereadora se tornaram leis municipais em Taquara, todos, segundo Sirlei, oriundos de reivindicações da comunidade. A lei municipal 5.455 de 2013 torna obrigatória a prescrição de receitas e laudos médicos e odontológicos em letra de forma, digitadas ou manuscritas. Já a lei municipal 5.586 de 2014 dispõe sobre a criação de vagas de estacionamento nas áreas urbanas da zona azul para o uso de bicicletas. Outra lei municipal que teve projeto de autoria da vereadora é a que dispõe sobre a obrigatoriedade dos estabelecimentos bancários disponibilizarem cédulas de todos os valores em pelo menos um dos caixas eletrônicos, desde que este seja devidamente sinalizado. Também foi de autoria da vereadora projeto que proibia a colocação de panfletos publicitários em automóveis, caminhões, ônibus ou qualquer outro veículo. Contudo, esta matéria acabou sendo rejeitada pelos demais vereadores.
Sirlei também é autora de diversas sugestões encaminhadas à Prefeitura de Taquara. Entre elas estão: instituição do uso de crachás de identificação dos servidores públicos; instituição de um dia de folga para o servidor público que doar sangue, conforme lei em vigor para os servidores federais; criação de uma turma de alfabetização na Escola Taquarense de Jovens e Adultos (Estaja); incentivo da participação das escolas na Consulta Popular; utilização de faixas sinalizadoras pelas funcionárias da limpeza urbana, como forma de evitar atropelamentos, principalmente em horários noturnos; criação de áreas de lazer e esportes nos bairros de Taquara; ampliação e intensificação na fiscalização dos espaços destinados ao estacionamento de idosos; educação sexual como forma de prevenção à gravidez precoce e a doenças sexualmente transmissíveis; patrulhamento da Praça da Bandeira extensivo ao Parque do Trabalhador, para coibir vândalos; criação de rede de proteção, com diretores de escola, professores, pais, assistente social e psicólogo, para atuarem em casos de suposta agressão a crianças, entre outras demandas. Nas últimas semanas, a vereadora também está liderando a discussão sobre a utilização das vias urbanas de Taquara por carros-fortes, num debate voltado à imposição de horários de menos movimento para a retirada de valores.
Entre as metas para a continuidade do mandato, Sirlei diz que pretende seguir o trabalho com foco nos projetos sociais, bem como ampliar a atuação conjunta com todos os seus colegas em grandes lutas, como no caso do dique do Loteamento Olaria. Outra atuação que pretende ampliar é na área do Direito. Mesmo não tendo a formação na área, e não sendo advogada, a vereadora tem ajudado quem a procura a encaminhar demandas no Juizado Especial Cível (Pequenas Causas), que não exige advogado. Com isso, quatro processos ela já encaminhou e pretende ampliar esta atuação, pois alia a formação que está buscando com o trabalho social realizado pelo vereador.


