IGREJINHA – Um esporte distante da realidade da maioria dos brasileiros, o hóquei indoor, tem atraído os alunos e a comunidade da Escola Municipal Vila Nova. A atividade é desenvolvida pelo professor Diego Telles Model, 32 anos, desde 2010, e, de lá para cá, vem colhendo bons frutos, como primeiros lugares em competições nacionais.
A voz calma e paciente do professor Diego orienta os alunos durante os encontros. Com o auxílio de bambolês e cones, os jovens realizam o aquecimento antes de partirem para a quadra esportiva do educandário. Às quintas-feiras à tarde, um grupo de aproximadamente 15 meninas participa da atividade. Todas são iniciantes e descobrem a diversão e as dificuldades do esporte. Nas terças, é a vez dos alunos que já praticam há mais tempo o esporte e, aos sábados, o espaço é aberto para ex-estudantes e comunidade interessada.
As salas de aula são conhecidas há mais de dez anos de Diego. Há oito, está no educandário como educador físico. Em 2009, durante um projeto com os alunos, ele trouxe cinco tipos de esportes diversificados para a garotada aprender. Aos poucos, foram aprendendo teórica e praticamente a execução de cada um, exceto o hóquei indoor, uma vez que o educandário não dispunha dos materiais necessários para isto. Foi então que Diego resolveu enviar um e-mail para a Confederação Brasileira de Hóquei Sobre Grama e Indoor (CBHG). A surpresa ficou por conta do retorno da entidade, que ofereceu qualificação e equipamentos para que Diego pudesse trabalhar sobre o esporte com os estudantes.
A partir de 2010, com os aparelhos em mãos e muita vontade de ensinar o esporte aos alunos, Diego criou turmas para praticar hóquei. No início, vinham poucos alunos, mas, com o passar do tempo, a quantidade de interessados aumentou consideravelmente. Hoje, são cerca de 120 jogadores em diferentes modalidades, incluindo os atletas que não fazem mais parte do educandário e pessoas da comunidade. “São bem empolgados. A maioria vem e fica”, ressalta.
A paixão dos atletas e o empenho do professor têm garantido bons frutos. Nestes últimos anos, as equipes da escola conquistaram o Campeonato Brasileiro de Hóquei Indoor quatro vezes – uma no masculino e três no feminino –, entre outros títulos. “É um esporte democrático. Precisa ter vontade de aprender e perseverança, pois demora cerca de quatro meses entre a preparação e primeiros jogos.” Em 2013, em Santa Catarina, ficaram em último lugar entre os participantes. No ano passado, inspirados pelo espírito de revanche, os estudantes deram o troco e, com muita garra e determinação, alcançaram o pódio, deixando para trás outros oito grupos. Esta vitória deu direito aos meninos pedirem bolsa atleta.
O grupo de alunas que participa às quintas-feiras garante curtir o esporte. Com os tacos de madeira com cerca de um metro em mãos, elas, aos poucos, aprendem as técnicas e se desenvolvem dentro de quadra. “Meus pais acharam diferente, mas eles gostaram, até apoiam”, contou uma delas, enquanto a outra arrematava: “Acho legal o esporte, é um pouco difícil no início, mas depois vai”. O professor explica que o hóquei indoor auxilia no desempenho motor dos braços e pernas. “Isto na parte física, mas também fomenta o companheirismo, a disciplina, os cuidados com o outro.”


