Caixa Postal 59
Esta postagem foi publicada em 3 de julho de 2009 e está arquivada em Caixa Postal 59.

CAIXA POSTAL 59

Era noite de São João
Festa de São João “de verdade”, na minha adolescência, era a do “Polivalente”. Nada se comparava ao tradicional evento junino que reunia gente de toda a cidade na escola para um encontro de muita diversão e alegria. Além das comidas e bebidas típicas, como pinhão, quentão, amendoim e pipoca, a “Festa do Poli” exigia traje caipira e bigode de carvão para os meninos e pintinhas nas bochechas das meninas. Também não faltava a cômica encenação do Casamento na Roça e a temível Cadeia.
Lembram da Cadeia? Os guris mandavam prender as gurias e vice-versa, numa brincadeira engraçada que rendia, até, alguns ingênuos beijinhos caipiras depois de libertados ou cara feia por vários dias. Já a cantina era o recanto para exagerar na comilança e beber quentão para espantar o frio. E me parece que os invernos daquela época também eram mais intensos, mais gelados. Saía de casa com muita roupa, acompanhada de amigos, abraçada ao namorado também adolescente… e até o namoro me parece, hoje, que tinha outra intensidade.
Tão intenso quanto o evento mais esperado da noite: a queima da grande fogueira montada nos fundos da escola. No pátio, todos aguardavam pelo momento em que as chamas tomassem conta e o clarão iluminasse a escuridão da noite. Pura magia ser aquecido ao relento pelo calor das labaredas, mantida a segura distância para evitar acidentes.
A fogueira queimava até o outro dia e era motivo de orgulho para alunos, professores e visitantes. Bons tempos, aliás, em que os estudantes tinham orgulho e respeitavam sua escola, seus mestres. Amávamos o “Poli”, e os professores eram referenciais tão importantes que, até hoje, muitos deles continuam na minha memória e no meu coração como lembranças da melhor fase da adolescência.
Na semana passada, reencontrei dois professores inesquecíveis, a Cátia e o Weber, o que certamente me reavivou a memória das festas e de tudo o mais que ocorria naquela época em que freqüentávamos o, assim chamado, primeiro grau. Foram anos de muito aprendizado em uma escola pública, sim senhor, onde recebi a principal bagagem para saber que caminho seguir a partir dali.
Não sei muito da realidade desta escola especificamente hoje em dia, embora entenda as mazelas do ensino público, que não são poucas. Também não tenho conhecimento se ainda ocorrem as tradicionais festas de São João do “Poli”, hoje denominado de Escola Felipe Marx. Espero que a tradição se mantenha e, se tiver fogueira, por favor, não esqueçam de mim!!!
Roseli Santos
– Jornalista –

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