A Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia da Assembleia, presidida pelo deputado Gilberto Capoani (PMDB), realizou audiência pública na tarde desta segunda-feira (25) para tratar do projeto de implantação da Universidade Pública dos Vales, a Univales, abrangendo os vales do Caí, Paranhana e Sinos. Presentes, representantes de municípios das regiões envolvidas (vice-prefeitos e vereadores), lideranças das comunidades e segmentos produtivos.
O deputado Capoani explicou que o encontro foi solicitado por parte do deputado Gabriel Souza (PMDB), ausente por integrar comitiva do governador Sartori à Europa. Segundo ele, “esta é uma mobilização importante, sempre que se tratar de educação. É a base para o desenvolvimento de uma sociedade que quer avançar. A Comissão de Educação está à disposição como espaço para debate e encaminhamento de sugestões às esferas necessárias”, frisou.
O presidente da Associação pró-Univales, professor Pedro Roque Giehl, enfatizou que esta é uma questão essencial. “Uma pauta justa, necessária e possível, que vem ganhando apoios de parte dos que acreditam em sonhos e que estes podem ser realizados. O mundo atual exige altos índices de educação superior”. Citou que, no Brasil, apenas 11,26% da população com mais de 25 anos têm ensino superior. “No Rio Grande do Sul este número cai para 8,6%”, lastimou.
Observou que a região entre Porto Alegre e as Serras tem cerca de 3 milhões de pessoas: Vales Sinos, Caí e Paranhana contabilizam 1,6 milhão; Serras e demais vales, 1,4 milhão. “São aproximados 28% da população total do Estado (com menos de 30 anos) precisando estudar em universidades, no ensino superior, em numa parte que detém o segundo maior PIB do Rio Grande”, justificou. Citou como exemplos que inspiram a iniciativa dos que lutam pela Univales, as conquistas da Unipampa e Universidade da Fronteira, com elevado número de alunos e cursos. “O movimento Univales Já está organizado em 23 municípios; são 100 mil assinaturas e dezenas de moções de apoio”, acrescentou.
Cortes no orçamento
Informou, ainda, a retomada do diálogo institucional e político com o ministério da Educação e com a presidência da República. “A troca de ministros na área da Educação travou um pouco o processo. Mas entregamos, ainda no ano passado, o projeto no MEC e dossiê à presidência da República explicando detalhadamente a proposta”. Afirmou que os cortes orçamentários anunciados “trazem dificuldades momentâneas e transitórias, retardando os acontecimentos, mas não se pode aceitar e permitir que projetos desta ordem sejam inviabilizados. A educação não pode ser atingida, com ou sem crise; se recursos forem retirados, que sejam repostos”.
Por fim, sublinhou que o modelo de gestão pretendido busca uma universidade superior pública da região e não na região. “O foco deve ser o engajamento de todos e não disputas territoriais. Pretendemos formações nos segmentos de tecnologias e engenharias; ciências da saúde; profissionais de educação e humanidades e culturas.
No encerramento da reunião, foram apresentadas e aprovadas as seguintes moções: de apoio à Univales, por parte da Comissão de Educação da AL junto ao MEC; moção à bancada gaúcha para que a Univates seja incluída no PPA, e ofício convidando o governador José Ivo Sartori, para que se envolva e apoie esta proposta.
Participações
Charles Viegas, em nome dos estudantes, destacou a importância regional que significaria a Univales e ressaltou o engajamento de várias entidades estudantis no processo, independente se representem instituições públicas ou privadas.
Júlio Ferraz, da CUT/RS, disse que o conjunto dos trabalhadores sempre estará ao lado de iniciativas como esta, que agreguem conhecimento e valor. “As regiões em foco ganham em desenvolvimento. É preciso construir educação participativa e igualitária”.
Marcos Bock, do Fórum Pensando Novo Hamburgo, observou que educação e desenvolvimento devem ser política de Estado e não de governo. Lamentou ser preciso tamanho esforço no recolhimento de assinaturas em favor de algo voltado à educação. “Algo está muito errado”, apontando que o PIB gaúcho poderia ser dobrado em oito anos com mais investimento em tecnologia.
Guto Scherer, vereador em Igrejinha, destacou que a tratativa do tema na Assembleia é importante, ressaltando, porém, que a mobilização deve avançar junto ao governo central, ministério da Educação e presidência da República, “onde a questão deve ser aprofundada”.
Leo Dahmer, vereador em Esteio, enfatizou a importância da luta, com a participação dos atores necessários. Acredita em mobilização exitosa, uma vez que há notada carência de ensino superior público. “Mesmo com a troca de ministros na pasta da Educação, creio na capacidade social e política das regiões envolvidas, até porque a luta é justa e necessária, como apontou o professor Giehl”.
O vice-prefeito Emílio Carlos Zanon, de Guaporé, disse que o município está engajado na luta, citanto que, todos os dias, 1,5 mil jovens deslocam-se da cidade para universidades distantes, correndo riscos e perdendo precioso tempo.
O deputado Tarcísio Zimmerman (PT) esteve na audiência pública e destacou a importância do ato “para que sejam construídas possibilidades reais de implantação da Univales. O projeto tem nosso total apoio desde o início”. Por fim, integrantes da plateia puderam manifestar-se sobre o tema.


