Geral

Sorriso para superar dificuldades

IGREJINHA – Quem viu a felicidade transbordar o rosto de Erna Rosalva da Silva Brando, ao receber a faixa de

IGREJINHA – Quem viu a felicidade transbordar o rosto de Erna Rosalva da Silva Brando, ao receber a faixa de Seniorin da 28ª Oktoberfest, não imagina os tempos difíceis pelos quais ela passou. De sorriso e faixa sobre a passarela, a jovem senhora virou a página e celebrou a nova fase que vive em sua vida. Na terceira idade, ela marcou encontro com verdadeiros momentos de felicidade.

 

Erna recebeu a faixa no domingo passado, no Parque de Eventos Almiro Grings. Na ocasião, fora celebrado o Encontro Teuto-Gaúcho, em mais uma das atividades do projeto Igrejinha Vivendo a Cultura. Eram oito candidatas, com idades entre 60 e 81 anos, e cada uma representava um grupo da terceira idade. Erna levantou a bandeira do Conviver, integrante do Cras e da Secretaria de Assistência Social.

 

Agora aposentada, Erna não trabalhou em minas de carvão vegetal ou como bóia-fria em São Paulo, fugida do Nordeste, mas viveu tempos árduos em sua mocidade. Nasceu em Três Coroas, em uma família humilde. Conheceu o trabalho aos sete anos, época em que seu pai teve problemas de saúde e ficou internado por quatro anos em um hospital de Porto Alegre. A mãe também acabou se ausentando e Erna teve de trabalhar na casa de uma prima, cuidando de três primos mais novos e ocupando-se da limpeza e organização do lar.

 

Mais tarde, quando tinha 12 anos, os pais vieram de volta à região e Erna lhes fez companhia. Segundo ela, foram tempos difíceis, em que “chegamos a passar fome, muitas vezes. Não tínhamos qualquer auxílio ou estrutura, e nos períodos entre colheitas acontecia de faltar comida”, contou. Em seguida, aos 15, foi trabalhar como garçonete no extinto Bar Central. Ali, em um dos pontos mais badalados de Igrejinha, nos anos 1960 e 1970, conheceu o jovem Décio da Silva Brando (conhecido como Pinguim), que veio a se tornar seu marido.

 

O casamento marcou uma nova época na vida da jovem, mas as dificuldades continuaram. Décio teve problemas com o álcool, prejudicando os planos de Erna de ter “uma família de verdade”, como sonhava. Porém, apesar dos obstáculos, o casal tocou a vida adiante e criou os dois filhos, André e Vivan. Hoje Erna é viúva, pois perdeu o marido para uma doença relacionada ao cigarro, e vive, também, na companhia dos netos Thiago (23 anos), Leonardo (10) e Arthur (cinco meses).

 

Grupos da terceira idade: a melhor alternativa

Erna sempre trabalhou, desde os sete anos. Logo depois do casamento, passou a se dedicar em fábricas de calçado, permanecendo mais de 40 anos no setor e passando por apenas três empresas. Mais tarde, quando se aposentou, deparou-se com um vazio. “Me entristeci e beirei a depressão. Um médico me aconselhou a fazer parte de um grupo de terceira idade ou voltar a trabalhar”, comentou.

 

Ficou com a primeira opção. Em uma terça-feira, há três anos, conheceu o grupo Flor da Esperança, e no dia seguinte, o Conviver. “Os dois são muito diferentes, mas me sinto bem em ambos. O Flor é bem estruturado, antigo, e nele fazemos diversos passeios, danças, bingos, rodas de chimarrão. Através dele conheci lugares como João Pessoa, Rio de Janeiro e Gaspar. Também foi no grupo que eu comecei a desfilar. Todos os anos, em abril, realizamos um chá, onde lojas levam roupas e nós as usamos na passarela. Não sei o porquê, mas quando eu ponho os pés na passarela, todos começam a gritar. Eu realmente não entendo. Eles dizem que eu tenho um carisma diferente”, contou.

 

“Já o Conviver é formado por pessoas mais humildes, mas é igualmente importante. Fazemos passeios para a Serra Gaúcha e ao Litoral, por exemplo, e também participamos de congressos, bingos e festas. Como há pessoas de várias idades, nos ajudamos em tudo, e trocamos experiências. Inclusive, ganhei um concurso de piadas, que aconteceu em Canela”, informou Erna, enquanto sorria ao lembrar do acontecimento.

 

O sentimento de nova Seniorin

Quando foi chamada no palco como vencedora do concurso, Erna não acreditou. E nem depois. “Custei a dormir. A cabeça não parava. Eu me candidatei a pedido do pessoal do Conviver, e nunca imaginei que ganharia. É uma grande alegria, e também uma responsabilidade”, pontuou.

 

Animada com a nova rotina, com entrevistas e trabalhos de divulgação da Oktober, ela afirmou estar disposta ao trabalho duro de outubro. “Não é só fazer festa, sair dançando. Vou estar à disposição todo o tempo, e pronta para falar no microfone sempre que solicitado. Vou receber as pessoas de outras cidades e contar sobre nossa festa, também usarei meu alemão. Quero dar o meu melhor, fazer bonito. Quero honrar a faixa e passar esta missão adiante ao entregá-la no ano que vem”, disse.

 

Erna acredita que venceu o concurso por sua naturalidade, por não querer se mostrar melhor que as outras concorrentes. “Fui eu mesma o tempo todo, e me dediquei às oficinas que tivemos por quase um mês”.

 

Matéria publicada na edição impressa 03/07/2015.

Leave a Reply