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Câmara formaliza CPI que investigará alterações na lei do Código Tributário

Vereador com sete mandatos no Legislativo de Taquara, Nelson Martins (PMDB) foi escolhido como presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito

Vereador com sete mandatos no Legislativo de Taquara, Nelson Martins (PMDB) foi escolhido como presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada pela Câmara de Vereadores na terça-feira. A comissão foi solicitada para apurar mudanças ocorridas na lei municipal que instituiu o Código Tributário, aprovada no final do ano passado. Após um pente-fino, o presidente da Câmara, Eduardo Kohlrausch (PTB), descobriu alterações entre o projeto votado pelo Legislativo e o que foi efetivamente sancionado pelo prefeito Tito Lívio Jaeger Filho. Agora, a Câmara quer apurar se houve ilegalidade nestas mudanças.

 

A instalação da CPI, na sessão de terça-feira da Câmara, não deixou de ser marcada por confronto entre a base governista e os vereadores que solicitaram a comissão. A CPI foi solicitada pelos oposicionistas Moisés Rangel (PSC), Nelson Martins (PMDB), Régis Souza (PMDB), Valdecir Almeida (Pros) e Adalberto Lemos (PDT). O regimento interno da Câmara não exige votação para a criação de uma comissão de inquérito, apenas a apresentação de requerimento assinado por um terço dos membros da Câmara, o que foi cumprido pela oposição. Com isso, ainda na semana passada, o presidente Eduardo autorizou a criação da comissão.

 

Mesmo assim, o vereador Guido Mário Prass Filho (PP), integrante da base governista, solicitou, nesta semana, que Eduardo colocasse a criação da CPI em votação. Para ele, o plenário da Câmara é soberano em suas decisões. O vereador entende que a investigação não teria mais razão, uma vez que o prefeito Tito enviou à Câmara um projeto de lei para corrigir as alterações que foram feitas na lei municipal. “Se houve erro, está sendo corrigido”, afirmou. A base governista na Câmara é majoritária, pois composta por oito parlamentares. Manifestaram-se, no mesmo sentido de Guido, os vereadores Adalberto Soares (PP), Arleu Oliveira (PP), Luiz Carlos Balbino (PTB), Sirlei Silveira (PTB), Roberto Timóteo (PP), Telmo Vieira (PTB) e Sandra Schaeffer (PSDB). Todos entendem que a CPI deveria ser colocada em votação, e que, no momento, não havia necessidade de criação da comissão. Contudo, o presidente da Câmara indeferiu o pedido de votação, informando que não há embasamento regimental para a solicitação.

 

Proponente da CPI, o vereador Moisés disse entender que houve uma infração e fez uma comparação com o roubo de um carro. “Se eu roubar um carro e devolver o veículo depois, deixa de ser crime?”, questionou. Para ele, existe uma lei vigorando há sete meses, que está sendo consertada agora, e o projeto enviado à Câmara pelo prefeito é quase uma confissão do erro, que precisa ser apurado pela CPI.

 

Depois do embate relacionado à criação da CPI pelo voto, foi a vez de uma nova solicitação dos vereadores integrantes da base do governo, formalizada, mais uma vez, por Guido Mário. Ele reivindicou ao presidente da Câmara que, na formação da comissão, o PP tivesse dois membros, para respeitar a proporcionalidade partidária, uma vez que a sigla, junto com o PTB, possui a maior bancada da Câmara, com quatro integrantes. Contudo, o presidente Eduardo negou o pedido de Guido, novamente alegando que não há previsão regimental para a reivindicação. Além disso, Eduardo destacou que todas as comissões da Câmara de Taquara, até hoje, sempre foram formadas por um integrante de cada partido, e nunca houve reclamação anterior. Com isso, a CPI foi formada por um integrante de cada sigla. Questionado por Panorama, o vereador Guido Mário disse que estudará junto com o partido as medidas que tomará para manutenção da proporcionalidade, o que pode incluir o ingresso com ação na Justiça.

 

> QUEM INTEGRARÁ A CPI

A CPI será integrada por quatro vereadores de oposição: Moisés Rangel (PSC), Adalberto Lemos (PDT), Nelson Martins (PMDB) e Valdecir Almeida (Pros). Também participarão três vereadores da base governista: Sirlei Silveira (PTB), Arleu Oliveira (PP) e Sandra Schaeffer (PSDB).

 

– Na votação para a presidência e relatoria da comissão de inquérito, duas chapas foram formadas. A base do governo Tito tentou emplacar Arleu para a presidência e Sirlei para a função de relatora, mas ficou só com os três votos dos vereadores que defendem a administração municipal. A oposição fez quatro votos, indicando Nelson Martins para presidente e Moisés Rangel como relator.

 

– O presidente da CPI marcou para a próxima segunda-feira, às 16 horas, a primeira reunião da comissão, quando será discutido o plano de trabalho e as primeiras atividades.

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