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Região teme nova demora para conserto de bloqueio na ERS-115

O aparecimento de uma rachadura no quilômetro 27 da ERS-115 volta a provocar preocupação no Vale do Paranhana. A pista

O aparecimento de uma rachadura no quilômetro 27 da ERS-115 volta a provocar preocupação no Vale do Paranhana. A pista cedeu no trecho entre Três Coroas e Gramado, alguns quilômetros depois do pedágio da rodovia. Neste sábado, durante todo o dia, na praça de cobrança, funcionários da terceirizada que opera o terminal para a Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) orientavam os motoristas sobre o bloqueio. Assim continuará, até que o conserto seja realizado. Técnicos da EGR fizeram vistoria no local pela manhã, mas não deram prazos para o conserto. A EGR informou que nova vistoria ocorrerá na terça-feira, quando serão avaliadas medidas emergenciais. 

Na vistoria deste sábado, topógrafos da EGR constaram que, numa das trincas abertas sobre o asfalto, a profundidade é de 1,5 metro. A situação é atribuída pelos técnicos à chuva e ao encharcamento do solo por conta de infiltração de água por um período prolongado. Além disso, o terreno acidentado sobre o qual a ERS-115 foi construída também é apontado como fatores que motivam o aparecimento de rachaduras. 

A situação preocupa a região, pois, em 2011, uma rachadura interompeu o tráfego na rodovia por pouco mais de um mês. Na época, a 115 era administrada pela empresa Brita Rodovias e chegou a ocorrer uma discussão acerca da responsabilidade da obra. Depois, a Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados (Agergs) determinou que a Brita fizesse a correção do asfalto, mas assegurou à concessionária o ressarcimento pelo gasto, entendendo que o conserto daquela rachadura não estava no contrato de manutenção da rodovia. 

A situação agora, em 2015, é diferente da época passada. Não é mais a Brita que administra a 115, uma vez que acabaram os contratos de pedágios do Rio Grande do Sul com as concessionárias privadas. A rodovia está sob o encargo da EGR, criada pelo governo gaúcho ainda em 2013. Cabe, portanto, à EGR definir a obra que terá que ser realizada na 115, bem como é a estatal que cobrirá os gastos pela recuperação da rodovia. No entanto, por ser uma empresa pública, qualquer contratação a ser feita pela EGR terá que ser via processo licitatório ou a definição de procedimentos emergenciais, o que pode prolongar o conserto, devido à burocracia. 

 

Como responsável pela manutenção da ERS-115, a EGR cobra pedágio na rodovia, cujo valor mais barato, para veículos de passeio, é de R$ 5,90, nos dois sentidos. Segundo balanço da companhia, de janeiro a junho deste ano, a arrecadação na praça de Três Coroas foi de R$ 5.799.843,33. Já os gastos, nesta praça, somam R$ 2.911.763,68. Somente em 2015, portanto, o lucro, no primeiro semestre, foi de R$ 2.888.079,65. No ano passado, o lucro da EGR com a praça de Três Coroas foi de R$ 1.557.491,14. Com isso, em um ano e meio, a praça de Três Coroas da 115 teve lucro, segundo os balanços da EGR publicados em seu site, de R$ 4.445.570,79.

 

Empresário com loja na ERS-115, o igrejinhense Erni Engelmann ressalta o temor de que se repita o cenário de 2011, em que a demora provocou prejuízos às empresas da região. Ele contou ao Panorama, ainda nesta sexta-feira, que já vinha alertando sobre o risco de repetição dos problemas, por conta da necessidade de obras de prevenção. Agora, destacou Erni, caberá à região cobrar dos órgãos públicos a realização de obras em caráter de emergência. O presidente do Conselho Regional de Desenvolvimento (Corede) Paranhana/Encosta da Serra, Delmar Backes, também comentou ao Panorama a cobrança que será feita à EGR para que, em regime de urgência, faça a contratação da obra de recuperação da ERS-115. "É preciso que, desta vez, não se leve o tempo absurdo para a contratação, como ocorreu em anos atrás", pontuou Delmar, concordando que a interrupção do tráfego pode ser muito prejudicial à economia da região. O deputado estadual João Fischer (PP) informou que manteve contato com o secretário estadual de Infraestrutura, Pedro Westphalen (PP), também pedindo soluções emergenciais. "A estrada serve de interligação para uma das principais rotas turísticas do Brasil, mas o bloqueio não afeta apenas o turismo em Gramado e Canela, mas também os municípios de Igrejinha, Três Coroas e Taquara, com reflexos negativos para toda a região", comentou. 

 

Por enquanto, há rotas alternativas, como a que liga o bairro de Várzea Grande a Três Coroas, uma estrada de chão. Também é possível ir a Gramado e Canela pela ERS-020, passando por São Francisco de Paula, mas, nesse caso, é preciso driblar o bloqueio da 020 em Taquara, acessando a rodovia por Igrejinha, via estrada de Lajeadinho. 

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