As investigações a respeito dos policiais militares de Parobé, suspeitos em facilitar a ação de assaltantes de bancos, prosseguem na Corregedoria da Brigada Militar, em Porto Alegre. Conforme as provas levantadas até o momento, a hipótese atual é de que um policial afastado das funções era o mediador entre os colegas de farda e os criminosos.
O envolvimento de policiais militares suspeitos em proteger a ação de bandidos em ataques a bancos estava sendo investigado há mais de um mês, de acordo com o chefe da Secção de Feitos Especiais da Corregedoria da Brigada Militar do Estado, Major Fernando Gralha Nunes. A partir das primeiras informações recebidas, os trabalhos de investigação da BM canalizaram esforços para confirmar a participação dos brigadianos no caso.
Até o momento, conforme as provas coletadas, a hipótese é de que um policial era o articulador entre as informações vindas da corporação e os criminosos. O agente estava na condição de agregado à BM, ou seja, ele havia sido afastado da entidade para responder a um processo administrativo que sofria contra si. Esta ação referida a ele ainda não foi julgada.
Na madrugada de sábado (16), quando houve a tentativa de assalto à Caixa Econômica Federal de Parobé, e posteriormente à agência dos correios da cidade, o soldado afastado estava próximo do local, sendo preso em um Sandero, portando dois revólveres e celulares. Foram apreendidos neste ato Vilmar Anderson Baptista, conhecido como Choco, e Beatriz da Costa Vieira, ambos nas tentativas de assaltos, e o PM afastado, possível interlocutor dos criminosos. Os três foram encaminhados para prestar depoimento na Polícia Federal.
Brigadianos estavam sendo monitorados há um mês
Os quatro policiais detidos estavam sendo monitorados diariamente no desempenho das funções. Os agentes deixavam de agir em ocorrências relacionadas a furtos de caixas eletrônicos ou em agências bancárias. O valor resultante do crime seria partilhado entre a quadrilha e os soldados investigados. Conforme Major Nunes, no processo de apuração e confirmação das suspeitas, foram usadas técnicas de vigilância, equipamentos especializados e filmagens fotográficas.
Para facilitar a ação dos bandidos, os policiais permitiam aos criminosos ter acesso à frequência da rádio-patrulha, a fim de acompanhar a movimentação das viaturas dentro da cidade. Major Nunes também lembra que os suspeitos possuíam mensagens de textos e registros de telefonemas que levavam à confirmação de envolvimento com os criminosos.
Na madrugada de sábado, Vilmar Anderson Baptista, conhecido como Choco, e Beatriz da Costa Vieira tentariam assaltar a Caixa Econômica Federal de Parobé. A dupla desistiu e partiu para a agência dos Correios, em frente à Praça 1º de Maio. Ambos são acusados de cometerem este mesmo tipo de crime em Santa Catarina, de onde são naturais.
Os policiais novamente ajudariam a acobertar a ação. Porém, o Comando Regional do Vale dos Sinos, acompanhado do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE), deflagraram a operação e efetuaram a prisão de Choco e Beatriz, além de cinco policiais. Quatro deles foram encaminhados ao Presídio da Brigada Militar, em Porto Alegre. O rádio operador da BM prestou esclarecimentos e foi liberado ainda no sábado.
“Estamos envergonhados com os fatos encontrados”
Major Nunes confirma ter sido instaurado inquérito militar para aprofundar e descartar a possibilidade de mais policiais envolvidos no esquema. No momento, estão sendo cruzados os dados fiscais, bancários e telefônicos de policiais para tentar descartar hipóteses.
Os soldados apreendidos prestaram depoimento, mas ficaram em silêncio, apenas negando a participação na ação criminosa. “Foi um fato muito pontual e que nos causou bastante espanto. Ficamos consternados com a notícia e, posteriormente, com a confirmação. Estamos envergonhados com os fatos encontrados”, destacou o chefe da Secção de Feitos Especiais da Corregedoria da BM estadual.
* A Corregedoria da Brigada Militar do Estado não confirmou o nome dos envolvidos no caso.


