O vice-prefeito de Taquara, Carlos Alberto Pimentel (foto), concedeu entrevista, por e-mail, ao Jornal Panorama, na semana passada. O texto foi publicado de forma resumida na edição impressa. Aqui no site, é divulgada a íntegra das perguntas e respostas.
Panorama – O que motivou a sua decisão de pedir a desfiliação do PTB?
Carlos Alberto Pimentel – O fato de não encontrar espaço político-ideológico para desenvolver meu o que havia projetado para nossa população, especialmente na área da saúde. E o trauma: "Vai ser o prefeito da saúde."
Panorama – O que o levou a escolher o PDT?
Pimentel – Pela história da família Pimentel, com raízes no autêntico trabalhismo de Alberto Pasqualini, de Leonel Brizola e de Getúlio Vargas. Por encontrar acolhida no quadro partidário que já caminhei. Apenas retornei. Aliás, agradeço a outros três partidos o convite; guardo muito respeito.
Panorama – Não há constrangimento em escolher uma sigla de oposição à administração a qual o senhor faz parte?
Pimentel – Há, sim. Mas diante das circunstâncias e diante da minha visão ideológica tive que buscar espaço aonde pudesse caminhar ao encontro do que projetei como trabalho para nossa gente. Senão agora, talvez ali adiante.
Panorama – Confirma o distanciamento em relação à administração municipal? O que motivou isso?
Pimentel – Confirmo. Uma distância a mim imposta. Um distanciamento que passou a existir a partir do dia 20 de outubro de 2014, uma segunda-feira, as 8h30min, quando fui saído da Secretaria da Saúde; bem no centro de uma caminhada de organização da saúde local. Taquara começava a se destacar no quadro sanitário do Estado. Foi notícia nacional com a maior cobertura na campanha de vacinação contra o HPV. Nas campanhas de vacinação, além da alegria no trabalho, colocávamos coração. Íamos além das metas. Contra a gripe H1N1 vacinamos todos os que entendíamos serem vulneráveis ao vírus e que trabalham com o coletivo. Triste sai, quando um ato unilateral afastou-me. Bem no meio de atividades intensas de Outubro Rosa e Novembro Azul em 2013 e 2014, com a liderança da Vice-Dama Márcia Pimentel.Ressentido com fato de ser afastado exatamente no momento que se ampliava a implantação do programa mais médicos, com profissionais em todos postos de saúde; com a implantação de tecnologias médicas com a Acupuntura, pelo SUS, que ganharam espaço nacional e internacional; com a implantação e extensão de cobertura na área pediátrica no Posto Piazito (é bom lembrar, uma referência médica criada por mim e gerenciada pela Márcia no início da década) e nos postos como Empresa, Santa Teresinha e Mundo Novo. Bem no começo da implantação do programa Grupo do Coração. E tudo isso com recursos financeiros dos outros níveis de governo, apenas com parcela do nível local. O Prefeito tem uma forma de encarar as coisas diferente da minha. Eu respeito. Não sei se a recíproca é verdadeira. É difícil conviver quando atitudes, comportamentos e visões estão distantes. Hoje, penso que o destino político juntou duas pessoas que nada tem a ver. O Prefeito é um articulador com experiência no manejo político. Eu tenho anos de experiência de administração pública. Poderia ter havido uma caminhada homogênea se não fosse impedida pelo jeito de ser de cada um e os objetivos de campanha serem distanciados.Cheguei ao governo de Taquara para passar esperança e não desesperança. Ao ser saído da Saúde e ir para condição de Vice-Prefeito congelado frustrou-se um projeto para Taquara. Tenho um lado ruim: humanismo integral. O de ser humano e de buscar alcançar os objetivos a partir de diagnóstico prévio, participativo, com priorização do que deve ser buscado. Fui educado e treinado a ter uma visão holística. Não sou cavalo de padeiro com antolhos. Que só vê o umbigo, ou seus projetos pessoais. Não pactuo com aqueles que pensam que os fins justificam os meios. Quando iniciei no governo deixei bem claro: que não fosse um governo como tantos outros, que ficam na mesmice de repetir e não transformar, atendendo apenas às demandas circunstanciais. Não atacar com coragem os problemas históricos que em Taquara vêm se ampliando. Para mim, governar não é gerenciar apenas o financeiro. Fosse assim, nenhum de nós conseguiríamos nossos bens pessoais. Há que se ter capacidade e coragem de encarar não só a realidade, mas se projetar esta visão no futuro. E para lá temos que estar focados. Ao final deste governo, caberão perguntas. O que foi feito para gerar empregos e evitar que nossa gente continue viajando para municípios vizinhos? O que foi feito para oferecer aos jovens uma perspectiva de, aqui, constituírem suas moradas? O que foi feito para mudar a estrutura ambiental: saneamento básico; drenagem dos arroios e rios; segurança pública? E por ai vai.Cumprir rotinas, qualquer um faz. E só ler uma cartilha de governo. Atacar as coisas erradas historicamente tem que ter honestidade intelectual e coragem. Foi o que em um ano e meio na Saúde estávamos fazendo. Não só atendendo às demandas, mas buscando plantar, em cima do que recebido do governo anterior, um sistema local de saúde amplo, competente e capaz de mudar o quadro sanitário de Taquara. Com visão administrativa ampla. Tenho um lado ruim. O de ser humano. Sempre trabalho com muito amor. O dia que não for assim, eu paro. E isso ainda tá longe. É chato ser estátua o tempo todo. Hoje, penso que em alguns momentos me pode ter faltado competência, mas nunca paixão. E um vice prefeito tem que amar o seu povo, sinceramente e não de bico. Na administração pública há que ser transparente. Até porque somos acompanhados a todo momento. Como sempre digo, não substimar o povo. Burro é quem pensa que o povo é burro e pode manipular. Sem ressentimentos. Este é o PI.


