Do “Meu livro de citações”: Colas instantâneas colam apenas os dedos de quem as usa. Nisso elas são, realmente, imbatíveis.
ASTRONOMIA
O céu sempre me fascinou, em qualquer de suas versões, a visível ou a futura (sou um sujeito otimista, podem acreditar, pois levo esta última como favas contadas). Quando olho para cima e vejo aquele mundão de estrelas no céu real, fico pensando em como somos pequenos, como não somos nada. E olhem que ao falar em “mundão de estrelas” estou me referindo apenas às três mil visíveis a olho nu. Mas não esqueço o céu de 4 septilhões – um 4 seguido de vinte e quatro zeros –
, já visto/calculado pelos cientistas. Na verdade, somos aquilo que alguns, mais cínicos, costumam chamar de a mosca do cocô do cavalo do bandido. Está bem, está bem, não precisavam exagerar. Se a intenção era depreciar, esse pessoal foi fundo, apesar de, tanto o inseto quanto a matéria básica da analogia, terem lá suas utilidades. Uma como adubo na produção de alimentos mais saudáveis e outra como alimento, ela própria, de sapos, na velha e boa cadeia alimentar. As princesinhas do mundo que o digam, pois todos sabem de onde vêm os príncipes.
A literatura e a publicidade sempre aproveitaram muito bem esses corpos celestes à guisa de metáfora, utilizando-os para classificar as pessoas de sucesso. Ela aproveita nosso espanto diante daqueles pontos de luz, distantes e misteriosos, enfeitando as noites. Chamar de…, não, chamar não; considerar alguém uma “estrela” já nos posiciona, hierarquicamente, em relação a esse alguém: ele é superior. As estrelas metafóricas dão a intensidade da admiração de um humano para com outro. Criam uma escala de grandezas, estabelecendo o valor de cada um nesta viagem chamada “vida”. Aproveitamos a beleza celestial para classificar pessoas como de 1ª, 2ª ou 3ª grandeza. É uma forma astronômica de estabelecer diferenças entre os objetos de nossa admiração, mas sempre os aceitando distantes de nós. Afinal, o sol mais próximo, depois do nosso Sol, está a 4,5 anos-luz de distância, o que, em quilômetros, não é pouco. As estrelas ficam muito longe.
Aqui, na Terra, os grandes berçários de estrelas – nomenclatura também existente na área da cosmologia – são as artes e os esportes. Nas artes, principalmente, a música, sem esquecer a televisão e o cinema; nos esportes, o futebol. É por isso que os cantores, os jogadores e os atores são tão lisonjeados, bajulados, paparicados, adulados. São tratados qual pedras preciosas. Tudo podem, tudo conseguem. A admiração dos fãs não tem limites e tudo lhes proporciona. Uma estrela terrestre, além dessas vantagens, ainda ganha salários nababescos, de deixar qualquer um vendo estrelas. É que, em nome da admiração, muita gente chega a perder um pouco da dignidade, não é mesmo? Chega a pensar que está no céu.
Bem, feitos esses comentários, agora só nos resta esperar a ressurreição de Michael Jackson!


