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Instituto Vida quer otimizar administração do Bom Jesus

Desde o último dia 15, o Hospital Bom Jesus, de Taquara, está sob responsabilidade de um novo grupo gestor. O

Desde o último dia 15, o Hospital Bom Jesus, de Taquara, está sob responsabilidade de um novo grupo gestor. O Instituto Vida assumiu a administração da casa de saúde, substituindo o Mãe de Deus, que tocou o hospital de Taquara desde a sua reabertura, em 30 de outubro de 2009. A mudança se concretizou após 30 dias de transição entre as duas instituições, uma vez que a troca de entidade gestora foi anunciada pela Prefeitura de Taquara ainda na metade de março. Solenidade realizada defronte à casa de saúde marcou a assinatura do contrato entre a Prefeitura e o Instituto Vida.

 

No dia 19, Panorama entrevistou os novos responsáveis pela direção do Hospital de Taquara. Falaram à reportagem o novo administrador do Bom Jesus, Pedro Stein, que estava administrando o centro cirúrgico do Hospital São Lucas; Fabiano Voltz, coordenador há sete anos da rede hospitalar do Instituto Vida; Kelly Caselani, da assistência gerencial, e Joaquim Souza, assistente administrativo. Eles iniciaram a entrevista pontuando que não é a intenção do Vida reduzir qualquer serviço anteriormente prestado pelo Bom Jesus. Além disso, reforçaram que não há intenção de desfazer contratos com o corpo clínico.

 

Fabiano pontuou que o Vida atua em 14 unidades hospitalares. O primeiro objetivo da nova gestão é que a comunidade não sinta a mudança de entidade administrativa, de forma a assegurar a qualidade dos serviços prestados. Nos primeiros dias, alguns problemas relacionados à informática estão sendo solucionados pelos gestores. O fato de ser um hospital regional, que possui um corpo clínico com uma gama de especialistas residentes no próprio município, foi um fator positivo apontado pela direção e um diferencial do Bom Jesus.

 

O Hospital de Taquara vem mantendo, nestes primeiros dias, os serviços de pronto-atendimento clínico, pediátrico e obstétrico, além da Unidade de Terapia Intensiva (UTI). São quatro médicos sempre à disposição, bem como as especialidades de sobreaviso, que podem ser acionadas. Segundo os novos diretores, foi possível perceber que o hospital é bastante frequentado, outro ponto considerado positivo.

 

Reforçando que o “Instituto Vida não chega a Taquara para ficar na mesmice”, o coordenador Fabiano pontuou que o momento é de diagnóstico. “Ainda precisará um tempo para termos uma ideia definitiva de todo o hospital”, comentou, sem adiantar qualquer mudança em relação à administração. Mesmo assim, ele disse ser necessário inserir o Hospital Bom Jesus atuar dentro de um contexto regional, buscando, inclusive, que a casa de saúde passe a realizar mais atendimentos e tenha mais alternativas de financiamento.

 

O Vida reduzirá o conjunto de funcionários do Bom Jesus, que trabalhava com cerca de 280 profissionais. O quadro atual ainda não está fechado: Fabiano explicou que, como foi acertado previamente, o Mãe de Deus efetuou o desligamento de todos os funcionários. Após isso, o Vida fez um processo de seleção e assegurou que deverá alcançar cerca de 200 profissionais contratados na casa de saúde.

 

Para reduzir os custos do hospital, o Instituto Vida dará prioridade à centralização de alguns serviços. As áreas de recursos humanos, contabilidade, financeiro e psicologia organizacional são realizadas na sede do Vida, em Porto Alegre. Além disso, há uma central de compras unificada, que busca obter redução de preços com fornecedores, negociando para todas as unidades do Vida.

 

Instituição buscará reforçar convênios e atendimentos particulares no hospital

A nova diretoria do Hospital Bom Jesus informou que está finalizando a negociação com o governo do Estado. Há informação de que os contratos mantidos anteriormente pelo Mãe de Deus serão redirecionados para o Vida. Além disso, a Prefeitura manteve, no contrato que tem com o Hospital, o compromisso de pagar R$ 130 mil por mês, direcionado ao financiamento da casa de saúde. Mas, para ampliar as receitas, Fabiano Voltz e Pedro Stein anunciaram a ideia de aumentar os valores obtidos com convênios e particulares.

 

No momento, Fabiano disse que os atendimentos estão restritos ao Sistema Único de Saúde (SUS). Uma das principais instituições que contratam recursos com o Hospital, a Unimed Encosta da Serra, está encaminhando a formalização de convênio com o Bom Jesus. A direção do Vida informou que também está sendo encaminhado o novo contrato com o Instituto de Previdência do Estado (IPE). Outros convênios, com sindicatos e outras instituições, também serão formalizados. A ideia é nunca deixar de realizar o atendimento via SUS, prioridade do hospital, mas aumentar as receitas com convênios, para melhorar os resultados financeiros da casa de saúde.

 

O relacionamento comunitário do Bom Jesus também foi ressaltado pelos diretores do Instituto Vida. Segundo eles, todas as contribuições da comunidade serão bem vindas, principalmente com sugestões ou críticas construtivas. A aproximação com a comunidade, através de entidades como Embaixada Feminina, Lions e Rotary Clube, também será buscada pelos gestores, assim que estiverem familiarizados com a administração da casa de saúde.

 

Em relação ao contrato firmado com a Prefeitura, que deixou de assumir eventuais déficits da casa de saúde, Fabiano disse que é a modalidade de convênio firmado pelo Vida em outros municípios. Na avaliação dele, a medida até deixa o contrato menos engessado, de forma que o próprio Hospital possa gerenciar e buscar adequar suas despesas às receitas. A medida ainda leva em conta o momento econômico, em que praticamente todos os municípios não têm como assumir integralmente os custos dos hospitais. Fabiano ainda negou o fechamento de qualquer unidade do Bom Jesus, como chegou a ser comentado em Taquara, entre eles o controle de infecção hospitalar. Segundo ele, esta unidade é obrigatória às casas de saúde e não há qualquer alteração em andamento.

 

Matéria publicada na edição impressa de 22 de abril. 

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