Geral

Muro da Memória homenageia Estação Férrea em seu antigo Lar

Taquara teve três estações de trem, de 1903 até 1958. O último prédio original abriga, agora, um posto de combustíveis.

Taquara teve três estações de trem, de 1903 até 1958. O último prédio original abriga, agora, um posto de combustíveis. A partir de negociações passadas entre o governo do Estado e as administrações anteriores, a posse da estação foi trocada por terrenos na área urbana central. Por isso, Taquara não tem mais o prédio público característico das cidades onde existiram estações férreas.

 

Há dois anos, o empresário Carlos Marmitt Júnior decidiu aproveitar o muro lateral do posto para homenagear a cidade e identificar o local. “Diariamente, surgem comentários sobre a antiga estação. Professores trazem seus alunos, pessoas mais antigas, visitantes da cidade, então tínhamos um muro em branco, que de três em três anos precisava ser pintado”, conta o empresário. Na busca por uma solução, convidou o jovem estudante de artes visuais da Feevale, Henrique Winter, para pintar no muro as antigas estações de trem da cidade. A obra foi inaugurada no último dia 15, em evento com a presença de autoridades e da comunidade.

 

“Gosto de trabalhar em tons sépia. A proposta foi fazer a pintura remetendo a fotos antigas”, contou Henrique, acrescentando que as imagens foram pesquisadas no Google e duas fotos são de arquivos pessoais, doadas para reprodução. Entre dono do muro e artista não houve pagamento em moeda. “Entramos em acordo. Em tempos de crise, a minha ideia foi convidar um artista que apresentasse seu trabalho. Com isso valorizo a cidade e os talentos locais”, explica Carlos, animado com a experiência positiva para ambas as partes.

 

“Foi um desafio para mim, pois o muro é grande e não é rebocado. Na pintura usei pincel e tinta acrílica. Utilizei a palheta de cores adequada à ideia, comecei com amarelo, adicionando os detalhes em tons rosa de areia e com tonalidade mousse de cacau, explorando os sombreamentos”, revela Henrique. Segundo ele, a pintura ficou pronta em um mês e logo depois foi contratado, na região, para outros projetos. Além das três estações e da locomotiva, foi reproduzida no muro uma poesia em homenagem ao local, escrita por Ana Paula Volkart, estudante de psicologia e poetisa por hobby. “Inspirei os versos na história de vida da minha avó, que conta ter embarcado no trem aqui na antiga estação Canelinha”, disse Ana.

 

“A cidade, boa ou ruim, é formada por pessoas, e ao pensarmos o que podemos fazer por ela, melhor tornaremos nosso local de convivência”, sugere Carlos, e afirma que há outros lugares possíveis de realizar este tipo de intervenção urbana em Taquara.

 

Matéria publicada na edição impressa em 26 de agosto de 2016

Leave a Reply