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Divulgação de vídeo provoca polêmica na campanha eleitoral de Parobé

PAROBÉ – A divulgação de um vídeo causou confusão na campanha eleitoral de Parobé. As imagens mostram o candidato a

PAROBÉ – A divulgação de um vídeo causou confusão na campanha eleitoral de Parobé. As imagens mostram o candidato a prefeito Diego Picucha (PDT) participando de uma reunião com empresários em que supostamente discutia o financiamento de sua campanha em troca de contratos com a prefeitura, caso Picucha vença o pleito. Duas ações sobre o tema estão tramitando na Justiça Eleitoral.

 

O vazamento do vídeo aconteceu no último dia 3 e movimentou as redes sociais em Parobé. Primeiro, foram divulgados trechos da reunião. No dia 5, foi postada a íntegra do vídeo na internet, com mais de uma hora de duração. As imagens mostram Picucha na reunião em que supostamente discute o recebimento de R$ 450 mil para a sua campanha eleitoral. Em troca, os empresários que pagariam o valor firmariam contratos com a Prefeitura, se Picucha fosse eleito, para fornecer profissionais para a saúde, merendeiras e vigilantes. Em trechos do vídeo, há combinações da realização de contratos por três ou seis meses, e Picucha pedindo que o assunto já comece a ser tratado com o seu procurador.

 

A suspeita levantada sobre a campanha do candidato pedetista gerou duas ações na Justiça Eleitoral de Taquara, que responde pela organização do pleito em Parobé. A primeira delas é uma denúncia, encaminhada por representante da coligação Parobé Para Todos, liderada pelo candidato adversário, Irton Feller (PMDB). Segundo a Justiça, esta denúncia foi encaminhada à análise do Ministério Público Eleitoral, ainda sem conclusão por parte da Promotoria. A outra ação é de investigação judicial eleitoral, proposta pela coligação Frente Popular e Democrática, do candidato Cláudio Silva (PT). Em entrevista ao Panorama, o advogado Ricardo Cantergi, que assinou esta segunda ação, explicou que foi solicitada a investigação de Picucha pelo entendimento de que a conduta dele foi lesiva ao artigo 41-A da lei eleitoral, que trata da captação ilícita de votos, uma vez que a regra veda o oferecimento de vantagens de qualquer natureza, protegendo, como bem jurídico, a vontade do eleitor. A coligação, portanto, requer à Justiça a cassação do registro de candidatura de Picucha.

 

Picucha: “meu erro foi ter ido conversar. Meu acerto foi não aceitar dinheiro”

Em entrevista ao Jornal Panorama, o candidato Diego Picucha comentou o vídeo divulgado nas redes sociais em Parobé. Para o pedetista, o seu erro foi ter conversado com os supostos empresários, mas o grande acerto que teve foi o não recebimento de nenhum valor, pois esta não é a sua forma de trabalhar.

 

Picucha contou que foi procurado por um rapaz do município, suposto empresário. “Chegando até lá, eles ofereceram sim recurso pra campanha. Nós conversamos sim, o que foi o meu único erro. Tive um erro e um acerto. Meu erro foi ter ido conversar com ele, mas a gente, como candidato a prefeito, é procurado por vários empresários. É normal que os empresários chamem muitas vezes para oferecer apoio. Ofereceram recurso sim. Na hora conversei com eles realmente, que foi meu erro. Mas o grande acerto que eu tive, que é o que representa o meu caráter e a minha índole, é não ter aceitado o dinheiro. Em nenhum momento eu recebi dinheiro deles. A gente não aceitou receber dinheiro deles, que era a oferta”, disse o candidato.

 

Diego Picucha reconhece que, no transcorrer do vídeo, “deu conversa, deu corda”, e, no final, encerrou o assunto. “E não aceitei receber dinheiro. Tanto que não existe nenhum vídeo e indício de que tenha recebido dinheiro. Eu não acertei com eles. Não houve recebimento de recurso, pois não é a nossa maneira de trabalhar. O erro foi a conversa.” Para o candidato, o que aconteceu foi uma armação dos adversários. Picucha informou que seu partido já efetuou representações pedindo investigação para o caso. “Se a minha índole fosse ser uma pessoa de mau-caráter, já teria feito isso na Câmara, ao contrário do trabalho que a gente mostrou, com corte de diárias, redução de cargos e fim do pagamento de sessões extraordinárias”, acrescentou.

 

Sobre as ações que transcorrem na Justiça Eleitoral, Picucha disse que ainda não foi notificado, mas entende que os adversários estão fazendo o papel político deles, “tentando de alguma maneira nos atingir e atrapalhar a nossa campanha”. O candidato acrescentou que continuará trabalhando. “Fiquei triste pelo fato, pois não é nossa forma de trabalhar, mas não cometi nada de errado. O erro foi ter ido conversar, mas o acerto foi não aceitar nenhum tipo de recurso”, comentou.

 

Matéria publicada na edição impressa de 9/09/2016.

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