Considerado forte tabu sociocultural e religioso, o número de suicídios permanece crescendo a níveis preocupantes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou que, a cada 40 segundos, uma pessoa se suicida. Ainda assim, quase não se fala sobre o tema. O movimento de prevenção intitulado Setembro Amarelo é inspirado no sucesso do Outubro Rosa e Novembro Azul – marcos na conscientização sobre o câncer de mama e exame de próstata. A cor amarela estimula a atividade cerebral, a inteligência e chama a atenção para este problema de saúde pública mental.
De 2014 até agosto de 2016, de acordo com o Departamento de Vigilância Epidemiológica, 15 pessoas cometeram suicídio em Taquara. Para cada caso, há entre 10 e 20 tentativas, e pelo menos 10 pessoas têm a vida diretamente impactada pelo ato, relata pesquisa da OMS. “É um assunto restrito, pois tanto a sociedade quanto os sobreviventes têm dificuldade em falar sobre a questão. Tirar a própria vida é um contrassenso em relação a tudo o que normalmente buscamos. O fato é que o paciente não quer acabar consigo, quer dar fim ao sofrimento”, comenta Vanderlei Petry, secretário municipal de saúde de Taquara.
A Unidade Básica de Saúde Santa Maria, em Taquara, juntamente com os alunos do curso de enfermagem da Faccat, organizaram ação com palestras e roda de conversa, no último dia 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, tendo a participação de cerca de 40 pessoas. “Para ajudar pessoas com problemas em relação a distúrbios suicidas e mentais (depressão e abuso de álcool), o ideal é não deixar a pessoa sozinha. Procurar ouvir mais do que falar, não diminuir o sofrimento dela, deixar desabafar, e acompanhar até um profissional da saúde”, afirmou Neusa Elaine Lobchenco, técnica em enfermagem.
No Brasil, ocorrem 32 suicídios por dia, taxa superior a de vítimas de AIDS. Mais de 17% dos brasileiros já pensaram em tirar a própria vida. A maioria dos atingidos pelo problema de saúde mental é jovem, de 15 a 29 anos. “A campanha do Setembro Amarelo está incipiente, o alerta é importante, pois há muitas situações que não são sabidas. Recentemente, aqui em Taquara, tivemos o caso de um rapaz de 27 anos que tentou suicídio, devido a uma separação, com um comprimido para matar pragas de lavoura. Por sorte, uma prima dele percebeu comportamento diferente, levou para o hospital para fazer lavagem gástrica, e ele teve alta alguns dias depois”, contou Jorge Amaral, diretor técnico de enfermagem da Unidade Central de Saúde Darcy Ribeiro (Posto 24 Horas).
“A primeira medida preventiva é a educação. Precisamos falar neste assunto, perder o medo. Compartilhar as informações e ‘destabulizar’ conceitos relacionados ao tema. Quando as pessoas conhecem o problema, a prevenção é mais bem sucedida”, opina Loreni Sirlandeli, diretora no Centro de Atendimento Psicossocial (Caps) de Taquara.


