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Promotor diz que vereadora eleita movimentava sistema do SUS com "login próprio"

O Ministério Público segue investigando a suspeita de fraude à fila do Sistema Único de Saúde (SUS) revelada na semana

O Ministério Público segue investigando a suspeita de fraude à fila do Sistema Único de Saúde (SUS) revelada na semana passada e que envolve os municípios de Taquara e Ivoti. No último dia 27, foi realizada a operação F5, que cumpriu mandados de busca e apreensão nos dois municípios. O promotor Flávio Duarte, que está à frente das investigações, concedeu entrevista à Rádio Taquara na sexta-feira passada e disse ter provas da inserção de dados falsos nos cadastros do SUS. Ainda não há prazo para conclusão da investigação, que envolve a vereadora eleita em Taquara Magali Vitorina da Silva (PTB).

 

Na entrevista, o promotor disse que o material apreendido na Operação F5 será analisado de forma contextualizada, e não simplesmente catalogado. Os documentos serão avaliados no contexto das provas que já estavam na investigação. "De qualquer forma, já é possível vislumbrar que muito daquilo que já tínhamos quando postulamos as buscas se confirmou", disse Duarte, acrescentando que pediu os mandados em função de uma "série de casos já documentados de pessoas notoriamente residentes em Ivoti, que sequer conhecem ou têm qualquer tipo de vínculo com Taquara, mas que foram inseridas como se fossem residentes em Taquara".

 

Em nota na semana passada, a Promotoria informou que as investigações mapearam 11 casos de pacientes moradores de Ivoti que conseguiram o agendamento de consultas em tempo recorde por meio de Taquara. Segundo o texto, um dos casos foi referente a cirurgias plásticas nas pálpebras e no nariz, outro de consulta oftalmológica agendada para apenas 16 dias depois da marcação, quando a espera, em regra, é superior a um ano. Também foi constatada uma consulta com oncologista marcada para 15 dias depois da inserção no sistema. De acordo com Duarte, os cadastros destas pessoas eram feitos com numeração inexiste ou mantinham o nome da rua de Ivoti, apenas alterando o município.

 

Quanto à ex-servidora responsável por efetuar os cadastros em Taquara, Magali da Silva, o promotor se referiu a ela na entrevista como "a pessoa residente em Taquara". Segundo Duarte, seria ela quem movimentava o sistema, com login próprio, em que aparece o nome dela. Além disso, o promotor afirmou que há vínculo de Magali com duas intermediárias de Ivoti, "indicando que essas três pessoas participavam dessa situação da inserção de dados no sistema, daí também a imputação ainda provisória de dois crimes, a inserção de dados falsos e associação criminosa".

 

O promotor disse que as buscas objetivaram identificar elementos diretos, nos próprios locais em que os fatos, supostamente, eram praticados. Flávio Duarte ainda aguarda o recebimento de informações que foram solicitadas à Secretaria Estadual de Saúde para conseguir formular um prazo para a conclusão das investigações. Em relação à prefeita eleita de Ivoti, Maria de Lourdes Bauermann (PP), também suspeita de integrar o esquema, o promotor disse que ela "descobriu um canal em Taquara, que viabiliza que pessoas de Ivoti fossem cadastradas como moradoras ou domiciliadas em Taquara, e obtinha a marcação mais rápida do que se fosse pelas vias normais e adequadas, pela Secretaria de Saúde de Ivoti".

 

CONTRAPONTOS

– Panorama buscou contato com Magali da Silva, nesta semana, mas não obteve retorno. Na sexta-feira passada, Magali contatou Panorama e disse que se manifestaria sobre o caso, mas somente após ter conhecimento do teor das investigações junto ao Ministério Público.

– A Prefeitura de Taquara informou que abriu sindicância para apurar eventuais irregularidades na marcação de consultas do Sistema Único de Saúde.

– A prefeita eleita de Ivoti, Maria de Lourdes Bauermann (PP), negou, em texto nas redes sociais, qualquer irregularidade e disse que está à disposição para colaborar com as investigações.

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