A época de final de ano sempre é conturbada para as entidades. Não é diferente no Lar Padilha, instituição situada no distrito de Padilha, no interior de Taquara, e que abriga crianças e adolescentes. Segundo o diretor do Lar, Fernandes Vieira dos Santos, o momento é de dificuldades financeiras frente aos compromissos que a entidade tem pela frente, principalmente com os funcionários. Mesmo assim, o Lar continua aguardando repasses das administrações municipais com as quais possui convênio, incentivando as doações por meio de dedução do Imposto de Renda e promovendo eventos.
Fernandes concedeu entrevista, no último dia 2, ao programa Painel 1490, da Rádio Taquara. Na ocasião, revelou que, no final de ano, o Lar se volta a demandas internas, como a preparação para que as crianças retornem às suas casas no período de festas. Além disso, o foco também é o término das aulas e o acompanhamento para que os acolhidos tenham sucesso nos estudos. Quanto às finanças, Fernandes revelou que, neste segundo semestre, percebeu um pouco mais de dificuldade das prefeituras para conseguir cumprir os convênios. O que se percebe, segundo o diretor, é que a situação não é intencional das administrações, mas um problema de crise financeira. Atualmente, 90% dos recursos que o Lar recebe são oriundos de convênios municipais, hoje firmados com 15 prefeituras. O restante dos recursos são provenientes de doações, promoções e parcerias do Lar.
Fernandes ressalta que 80% do custo operacional do Lar Padilha diz respeito à folha salarial dos cerca de 50 funcionários da entidade, divididos entre a unidade de Padilha e o Centro de Defesa situado na rua Marechal Floriano, no Centro. No tocante à alimentação e produtos de limpeza, o diretor agradeceu a parceria da comunidade, que costuma fazer doações rotineiras ao Lar, bem como no caso de roupas. Para este final de ano, além da segunda parcela do décimo terceiro salário, Fernandes se preocupa com o pagamento das férias dos funcionários. Outro motivo de alerta para o Lar é o caso de prefeituras inadimplentes, situação verificada, na região, com Parobé. O diretor revelou que foi preciso acionar na Justiça a administração parobeense, que se recusou a pagar um débito estimado em R$ 100 mil.
Fernandes agradeceu o apoio da comunidade ao Lar Padilha, com doações, citando o exemplo de um repasse de R$ 20 mil feito no ano passado, por uma pessoa que não quis se identificar, e que permitiu o pagamento do décimo terceiro salário em 2015. O diretor anunciou que será encaminhado um documento às prefeituras comunicando que os valores cobrados para o abrigo das crianças e adolescentes sofrerá reajuste a partir de janeiro, uma vez que está defasado desde 2012. "Chegamos ao nosso limite em relação ao valor. O IGP-M, índice usado para os reajustes, tem dado de 3% a 4%, enquanto os acordos coletivos chegam até 10%", comentou Fernandes, dizendo que não há outra saída senão repassar o custo.
O diretor ainda anunciou para o próximo dia 17, às 20 horas, a realização da Noitada Cultural. Trata-se do momento em que os abrigados do Lar Padilha recebem a comunidade, em Padilha, para apresentações culturais. O evento é gratuito e contará com mostras de dança, música, capoeira, entre outras atividades.


