TAQUARA – A Justiça de Taquara aceitou, no último dia 2, denúncia contra a vereadora eleita de Taquara Magali Vitorina da Silva (PTB), o que a torna efetivamente ré em um processo criminal. Ex-servidora da Secretaria Municipal de Saúde, Magali foi denunciada pelo Ministério Público dentro de uma investigação que apurou suposta fraude na marcação de consultas do Sistema Único de Saúde (SUS). O esquema envolveria, ainda, a prefeita eleita de Ivoti, Maria de Lourdes Bauermann (PP), e a correligionária dela, Irani Weber. No caso de Magali, o Ministério Público revelou, ainda no final da semana passada, que a taquarense teria buscado agilizar consultas mesmo no período em que estava afastada para concorrer ao Legislativo.
As informações foram divulgadas pelo promotor Flávio Duarte, que esteve à frente das investigações, durante entrevista ao programa Painel 1490, da Rádio Taquara. Segundo ele, a Promotoria concluiu pelo oferecimento da denúncia por dois crimes contra os três investigados: associação criminosa e inserção de dados falsos em sistemas de informações. Foram constatadas adulterações em pelo menos 14 cadastros, de pessoas que, segundo o promotor, são notoriamente residentes em Ivoti, mas que foram cadastradas como moradoras de Taquara.
O promotor explicou que Taquara possui um número maior de consultas disponibilizadas pelo governo do Estado. As indiciadas de Ivoti, ao constatar essa peculiaridade, aproveitaram a brecha para encaminhar os pacientes aos procedimentos de forma mais rápida. Segundo o promotor, tanto a prefeita eleita de Ivoti como a sua correligionária buscavam a formação de um capital político visando às próximas eleições. Duarte informou que não foi possível apurar eventuais vantagens que Magali Vitorina teve ajudando as pessoas de Ivoti.
A revelação do promotor foi que, durante a campanha, quando já estava afastada para concorrer, Magali teria continuado a ter ingerência sobre o setor de marcação de consultas da Secretaria de Saúde e mantendo contato com as servidoras que trabalhavam no local. Com isso, segundo o promotor, indicou pessoas de Taquara para a marcação e, em uma ocasião, teria sugerido que santinhos de campanha fossem entregues às pessoas que procuravam o setor. Por este motivo, Duarte solicitou à Justiça, na mesma denúncia criminal que apresentou, o compartilhamento das provas com o Ministério Público Eleitoral de Taquara, para investigar algum reflexo de conduta inadequada eleitoralmente. O compartilhamento das provas foi aceito pela Justiça, mas a Promotoria Eleitoral ainda não confirmou a abertura de investigação. Ao mesmo tempo, Duarte ainda solicitou que as provas sejam encaminhadas ao Ministério Público de Taquara, com vistas à apuração de eventual improbidade administrativa no gerenciamento do setor de marcação de consultas da Secretaria de Saúde.
Na semana passada, o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) de Taquara solicitou à Justiça cópias do processo, o que foi aceito. O presidente da sigla, João Luiz Ferreira, disse, em entrevista ao programa Painel 1490, da Rádio Taquara, que o partido está acompanhando o andamento das investigações e, somente após as conclusões, debaterá o assunto nas instâncias internas. Ferreira, que também é secretário municipal de Administração, informou que continua tramitando na Prefeitura uma sindicância aberta pelo Executivo para apurar o caso. O dirigente partidário acrescentou que tanto o PTB, como a administração de Taquara, não compactuam com este tipo de irregularidade, mas que deve ser assegurado o direito de defesa nas investigações. Panorama tentou, mais uma vez, contato com Magali da Silva, mas ela não foi localizada.


