A rotina do ano parece que não tem prazo para se encerrar: o Hospital Bom Jesus, de Taquara, encerra 2016 passando por uma nova crise financeira, sem efetuar pagamento de alguns fornecedores e sem pagar médicos. O motivo, segundo a direção da casa de saúde, é a falta de repasses do governo do Estado. Nesta semana, os médicos tiveram nova reunião, na quarta-feira, onde decidiram suspender as cirurgias eletivas e continuar com os atendimentos apenas de urgência até o dia 31. Se não houver pagamento após esta data, o risco é de paralisação de todos os serviços.
A saída de Fábio Strauss da direção técnica foi confirmada na quarta-feira, em entrevista dele ao programa Painel 1490, da Rádio Taquara. O médico confirmou que assinou o pedido de desligamento no dia anterior e que está cumprindo, até 20 de janeiro, o período de transição do aviso prévio, até que o Instituto de Saúde e Educação Vida (ISEV), entidade gestora do Bom Jesus, efetue a contratação de um novo diretor. Strauss disse que alguns problemas do Bom Jesus o levaram a tomar esta decisão, citando que, desde o dia em que assumiu a função, pouco ficou concentrado às atividades inerentes à direção técnica, tendo que atuar em diversas outras situações da casa de saúde.
Strauss ainda revelou descontentamento com o fato de que não foi possível implantar um centro de especialidades, nem formalizar convênios com outras instituições que representassem um incremento no faturamento do Bom Jesus. Além disso, ressaltou que as promessas não cumpridas de repasses por parte do governo do Estado provocam uma incerteza, em que não é possível definir datas para cumprir pagamentos com fornecedores e médicos. Strauss disse ainda que, quando assumiu, colegas disseram que o ajudariam na condução da casa de saúde, mas, no momento em que “apertaram as coisas”, acabou ficando sozinho.
O médico confirmou que, na quarta-feira, ainda continuavam suspensas as cirurgias eletivas do Sistema Único de Saúde (SUS). O motivo é que os anestesistas comunicaram à direção técnica a suspensão do serviço devido aos atrasos nos repasses. Apenas estavam sendo realizados procedimentos de urgência e emergência. Strauss disse que, nesta semana, nenhum repasse foi feito pelo governo gaúcho ao Hospital Bom Jesus, que estava sobrevivendo com a verba de R$ 43 mil obtida com os lucros repassados pela Oktoberfest de Igrejinha. O médico informou que, até esta semana, devido à baixa ocupação do hospital e à suspensão das cirurgias eletivas, não estava ocorrendo falta de insumos para a manutenção do Bom Jesus. Contudo, até a próxima semana, poderia ocorrer, caso não se tenha um novo repasse de dinheiro.
Nesta quinta-feira, em entrevista ao Panorama, o diretor do corpo clínico, Maurício Delanoy, também confirmou o seu afastamento da função, o que demandará a eleição de um novo diretor clínico. Segundo ele, no encontro de quarta, os médicos decidiram pela paralisação dos procedimentos eletivos, que devem ser encaminhados ao Posto 24 Horas. Continuarão até o final do mês apenas os atendimentos de emergência. Delanoy informou que o Bom Jesus passa por um momento muito grave, tendo, além da falta de pagamentos aos médicos, uma situação bastante precária em insumos para a operação e diversos problemas na escola de profissionais, que está com muitos “furos”.
Em entrevista ao programa Painel 1490, da Rádio Taquara, o prefeito Tito Lívio Jaeger Filho também se manifestou a respeito do Hospital Bom Jesus. Disse que repete-se a situação de que o Estado precisa efetuar os pagamentos que deve à casa de saúde. Segundo Tito, não há condições de a prefeitura aumentar os repasses que faz ao hospital, uma vez que já vem bancando a folha dos funcionários e que não possui recursos mais aumentar a verba.
Na edição impressa do Jornal Panorama desta sexta-feira, dia 23 de dezembro, você confere mais informações, com a matéria "Sem repasses, hospital não tem planejamento de investimentos".


