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Esta postagem foi publicada em 17 de julho de 2009 e está arquivada em Colunas.

Aula presencial ou virtual? Processo material ou eletrônico?

gilberto-saraiva

Estes dias tive a oportunidade de presenciar uma aula virtual, através do meu laptop. Fiquei meditando sobre o que vi e ouvi. Passou-me pela mente um flashback do meu tempo de faculdade: viagens diárias, cansaço depois de um dia de trabalho, despesas extracurriculares, tempo perdido, principalmente quando o professor não comparecia para ministrar a aula; aulas muitas vezes cansativas, sem didática alguma, monótonas e sem motivação que prendesse  a atenção do aluno.
Multiplique-se tudo isso por cinco, seis, sete anos de duração do curso. É um período massacrante nas nossas vidas. Sem contar com o famoso e estressante “trabalho de conclusão”, que nunca serviu para nada, apenas mais uma idiota exigência curricular, com vistas a proporcionar um ganho a mais para a faculdade.
Imagine, agora, você fazer uma faculdade, em casa, sentado em seu escritório, no horário que você escolher, podendo ver e rever a aula, quantas vezes você quiser, sem viagens, sem cansaço, sem despesas extracurriculares, sem ruído para atrapalhar a atenção.
Você acha que isso não existe? Pois eu lhe garanto que já é uma maravilhosa realidade. Você poderia argumentar que, sem a presença física do professor, o aluno não aprenderia o suficiente; que o ensino seria fraco; que o curso realizado resultaria em profissionais incompetentes, com pouca cultura e incapazes de concorrer com profissionais formados em faculdades com aulas presenciais.
Pois bem, experimente assistir a uma aula virtual e depois tire as suas conclusões. É indiscutível que o progresso tecnológico a que a humanidade está assistindo é irreversível. Não se pode negar que o futuro das universidades será ministrar aulas virtuais através da internet, com os alunos assistindo-as em suas próprias casas, inicialmente realizando provas materiais, mas, dentro em breve, virtuais,  as quais serão examinadas por professores, em seus escritórios.
É fácil imaginar que não haverá necessidade de grandes edificações para abrigar alunos, pois não existirão salas de aula, mas, sim, pequenos estúdios, onde os professores serão filmados, expondo suas disciplinas, solitariamente. Para tanto, exigir-se-ão do professor muitos atributos, tais como: conhecimentos intelectuais adequados, postura frente às câmeras,  bom timbre de voz, ótima dicção e que seja bem articulado e desinibido, motivado, simpático, capaz de prender, durante todo o tempo de aula, a atenção do aluno. É lógico que o professor disporá de toda uma parafernália de ferramentas oferecidas pela informática para ilustrar sua aula e a tornar atraente.
Já temos, no Judiciário, teleaudiências, evitando-se, com isso, o deslocamento do preso até o juiz, diminuindo, em muito, as suas despesas com locomoção, proteção e perigo de resgate. Também já está em uso o processo virtual, no qual o papel deixa de existir, pois as petições e manifestações dos advogados, assim como os despachos e sentenças dos juízes de 1º grau e os acórdãos e despachos dos tribunais e cartórios, são todos virtuais.
Os processos eletrônicos são a expectativa de que a movimentação de papel dentro dos cartórios – algo que complica e desgasta o relacionamento humano – diminuirá. As teleconferências já são realidade e permitem a autoridades ou pessoas falarem, vendo umas as outras, simultaneamente, mesmo estando em lugares distantes do Planeta
Pois é, meus amigos, o futuro já chegou. Que experiências maravilhosas estamos vivendo hoje!

Gilberto do Amaral Saraiva
Advogado
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