Paralelas
Esta postagem foi publicada em 10 de janeiro de 2014 e está arquivada em Paralelas.

Menos

Na contramão das ditas resoluções de Ano Novo, quando todos desejam e anseiam por mais e mais, como se já não tivessem o suficiente (e muitos realmente não têm), me flagro a cada ano indiferente e alheia às convenções que nos impõem gestos e ações comercialmente obrigatórios, em datas que se transformam em milionárias campanhas publicitárias. E, diga-se de passagem, só com gente linda , feliz e cheia de filhos hiperativos.

Alguma coisa só pode estar fora da ordem mundial, tenho cada vez mais certeza disso. Papai Noel por si só já é uma figura que não tem nada a ver conosco nessa terra senegalesca onde o pobre velhinho desidrata com aquele traje de dar dó, em pleno mês de dezembro. Os comerciais de TV, especialmente no Natal e início do novo ano, mais parecem filmes de ficção com gente surreal que habita talvez alguma cidade distante lá na Dinamarca ou na Suécia, menos o nosso bairro.

Nada contra o espírito de união e fraternidade que, também, me parece algo ressuscitado apenas nesta época por algumas pessoas que se esquecem de ajudar ao próximo nos demais meses do ano (e muitos realmente ajudam, mas uma grande maioria só é possuída pelo espírito de Madre Tereza de Calcutá no Natal e..bye, bye, povo. Mais ou menos como políticos antes da eleição.)
Nos últimos anos, diante desse quadro caótico e caricaturado de uma sociedade consumista e eufórica por novidades a cada segundo (e inclua aí todos os celulares, tablets e aquela parafernália eletrônica que você trocou a cada três meses para não frustrar o seu filho), me restou a única opção e atitude que podia tomar para ser coerente com uma vida mais sustentável, que eu prego e tento praticar: desejar cada vez menos!!!

Menos carros nas ruas e mais bicicletas; menos shoppings e mais artesanato; menos roupas e mais criatividade; menos gente no planeta e mais qualidade de vida; menos consumo e mais paz; menos arrogância e mais gentileza; menos estresse e mais lazer; menos poluição e mais árvores; menos barulho e mais música; menos luxo e mais simplicidade; menos medo e mais solidariedade; menos redes sociais e mais namoro na praça; menos farmácia e mais amigos; menos tudo o que quiser e mais daquilo que nos falta todos os dias, amor e compaixão.

No mais, meu amigo, esqueça aquele comercial de margarina, o presente que não pode comprar, o carro que nunca terá, o corpo perfeito e, principalmente, a culpa gerada por um sistema que só serve para te endividar. Sem culpa, é mais fácil ser o que se é e assumir a real possibilidade de que podemos comemorar o quê e quando quisermos, desde que seja um desejo sincero e não comprado em 12 vezes, com o vencimento da última parcela já agendado para o próximo Natal, às vésperas de mais um ano que virá.

Feliz 2015, ops …2014!!..

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