Aposto que pensou bobagem quando leu o título acima, né? Será que o Haiml falará sobre as meninas do Concurso Garota Panorama? Lamento. O assunto não é esse.
Há alguns anos, as bibliotecas das escolas municipais estão sendo premiadas com verdadeiros tesouros literários.
O bom é que tais obras não são apenas dirigidas à faixa infanto-juvenil, mas vem bastante literatura também para adultos. E aqui, colegas, não falo de livros teóricos e de exercícios, mas de literatura prazerosa. Não que certos livros adolescentes e infantis não agradem, também, aos maiores. Eu curto os volumes de Percy Jackson, por exemplo, e os livros que minha pequena Isabella e eu lemos juntos.
Os caixões que chegam às escolas trazem histórias inéditas, adaptações de histórias famosas, e vem poema, teatro, conto, novela, romance e até quadrinhos, tudo ricamente ilustrado em estilos gráficos das mais diferentes características e técnicas, e tudo impresso em texturas de alta qualidade, coisa de – perdoem a expressão – babar.
Foi num desses pacotes que achei, entre outras tantas coisas legais que ainda pretendo comentar, um dos livros que estou deliciosamente saboreando e já considerando um dos melhores que li em minha vida, “Anne de Green Gables”, de L. M. Montgomery.
Anne Shirley tem 11 anos e está órfã, um engano a leva a um casal de irmãos solteirões – eles tinham pedido um menino – o que ocorre em Avonlea, um encantador vilarejo no Canadá. Será que vão querer ficar com Anne?
O texto perspicaz e poético narra situações e compõe exteriores e interiores de personagens e cenários de forma a se tornarem inesquecíveis a quem os lê. Anne tem uma percepção apurada das coisas e um jeito apaixonante de não desistir delas, de driblar os empecilhos que surgem em seu caminho; lembra Pipi Meia-Longa – outra personagem menina que adorei conhecer, e que também encontrei nestas caixas enviadas às escolas.
Ambas são ruivas, sardentas e enxergam o mundo com uma sabedoria, uma sensibilidade e uma riqueza interior que são preciosas lições de vida, mas enquanto o texto do mundo de Pipi avança adentro do absurdo, em situações impossíveis, e ela parece não conhecer a tristeza, Anne, mais na real, se decepciona, sofre, chora.
A autora Lucy Maud Montgomery (1874-1942), formada em Literatura, tem vários romances, quinhentas histórias curtas, poemas e sete livros com a personagem Anne – a quem espero, público e crítica descubram e divulguem pelos meios internéticos de hoje. Quem sabe as editoras nos tragam os dias futuros das aventuras de Anne Shirley.


