Hoje peço licença aos caros leitores: falarei pouco sobre tecnologia, e mais sobre possíveis tendências.
Eu e minha esposa Flávia (também professora na Faccat), estamos passando uma temporada de estudos na Califórnia, região do bilionário Vale do Silício (agradecimentos ao Prof. Delmar Backes pelas nossas liberações nesse período!). Quando conhecemos lugares novos, observa-se diferenças culturais, em produtos e serviços. E como muito do que acontece nos EUA acabará chegando ao Brasil, achamos interessante citar algumas dessas diferenças.
Primeiramente, vamos situar: o que acontece na Califórnia não é regra nos EUA. É o estado mais rico e populoso do país, e multiétnico: os hispânicos são a maioria, mas asiáticos, afro-americanos, além dos brancos, são muitos por aqui. Além disso – ao contrário de boa parte dos EUA – é uma região liberal: o movimento hippie nasceu aqui em San Francisco. Também se destaca pelo grande investimento em educação: cinco das 15 melhores universidades do mundo estão na Califórnia – tais como Berkeley e Stanford – o que explica diretamente a sua riqueza (região que não investe em boa educação não tem como ser rica!).
Bom, vamos lá. Comidas orgânicas, ou artesanais feitas localmente: aqui na Califórnia esse conceito pode ser maior. Mas a maior rede de supermercados da região só vende produtos orgânicos ou, com exceções, produzidos por perto (para não haver gasto e poluição com longos transportes). Veja bem, não se trata de um “mercadinho”. É uma rede enorme, com lojas muito grandes, bonitas e movimentadíssimas. Mesmo as outras redes de supermercados têm grandes áreas de orgânicos e, pasmem: pensem nas marcas multinacionais de alimentos mais famosas no Brasil. Elas praticamente não existem aqui! Sim, aquelas que produzem algo como metade dos produtos aí dos nossos supermercados! Ou não se encontram por aqui, ou tem muito pouco! Motivo? Produzem longe, com agrotóxicos e transgênicos, vilões por aqui. Refrigerantes? As seções são menores do que as de sucos.
Ciclistas e pedestres, sua vez vai chegar! Funciona assim: pedestre ou ciclista chegou perto do meio fio da calçada? Os carros começam a frear, não interessa o fluxo e o tamanho da avenida. Eu e a Flávia chegamos a ficar constrangidos, parece que estamos causando um transtorno quando chegamos perto da faixa de segurança a pé ou com as bicicletas. Mas é a lei, é a cultura.
Táxis: sumiram. Só se anda de Uber. Clica no botão, em 3 minutos ele chega. Aqui existe o Uber Compartilhado (a viagem é dividida com outras pessoas), o que ajudou a baratear o serviço, às vezes sai mais barato do que usar o metrô! E tem um serviço de compartilhamento de carros! Eles ficam estacionados pela cidade: você chega com seu celular, aciona o serviço e as portas destrancam. A chave está na ignição, é girar e sair. Tem um ponto há uma quadra da nossa casa aqui.
Falando em trânsito: teremos carros elétricos! (E autônomos – semana passada o Uber botou carros que se dirigem sozinhos a transportar passageiros em San Francisco.) O mais comum dos elétricos é o Toyota Prius, se vê tantos quanto um Uno no Brasil. São tão comuns que as empresas da região têm nos estacionamentos os cabos para recarga das baterias. Além do Prius, tem aos montes por aqui o 100% elétrico Tesla (autodenominado “software com rodas”), e outros modelos mais baratos da Ford e Chevrolet.
Moda: lembre-se, estamos na Califórnia. Mas a “não preocupação” com roupas impressiona. Mesmo nos locais de bancos e escritórios, as pessoas visam conforto. Aqui em Berkeley é ainda mais forte. Você imaginaria moças universitárias indo para aulas por onde já passaram (ou dão aula) mais de 50 ganhadores de Prêmio Nobel, vestindo moletons e camiseta? Cabelos presos por borrachinhas e desgrenhados? Venha aqui e verá todas assim! Não se encontra um único aluno em Berkeley com roupas de marca. Ah, e muito comum (mesmo em dias frios): chinelos de dedo! Talvez o tempo gasto estudando não permita produções (o que acho ótimo!).
Bom, nas próximas colunas, seguiremos compartilhando experiências. Desejamos a todos, de coração, um sensacional 2017!


