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Esta postagem foi publicada em 2 de dezembro de 2016 e está arquivada em Colunas, Haiml & etc..

Velhos lobos ainda uivam

Foi culpa do CIMOL eu ter conhecido o Bauer. Do Santa, pulei ao CIMOL, e lá, fugindo das aulas de Educação Física, conheci o filho do Mestre de respectivo sobrenome.

O jovem Bauer tinha atestado, uma insuficiência no coração. Enquanto eu não era pego, ficávamos a papear, havia muito em comum, mas um assunto nos uniu mais: os discos-voadores. Foi um divertido ano de aventuras ufológicas nas quais conhecemos grandes nomes da ufologia gaúcha e brasileira. Mas pelo Bauer também fui a outras esferas. Ambos fissurados em música; eu de Stones, Beatles, Queen, parei em outra praia que nunca mais deixaria de pisar: o heavy.

Duas bandas priorizavam da enorme caixa de som dele ligada ao pequeno toca-fitas: Led Zeppelin e Black Sabbath. Também ecoavam por seu quarto – na casa em frente ao hoje Candemil Hotel – Deep Purple, Rush, Rainbow. Com o Bauer conheci um rol de figurinhas interessantes, algumas das quais ainda integram um circulo mais intimo, fiz acampamentos fantásticos, e uma caravana mágica espalhada pelos ônibus da Citral, pra ver “The Song Remaisn the Same, filme do Led no cult Cine Bristol, no não menos cult bairro Bonfim. Platéia lotada – até no corredor, parecia saída do filme ‘Hair”.

Mais tarde, o show do Black Sabbath, Gigantinho. O vocalista, na época, o Dio, do Rainbow, e ver ao vivo aquele pequeno/esquisito gnomo de enormes botas e incrível vocal entoando músicas dele com a banda e imprimindo seu carisma hipnótico a antigos sucessos do Sabbath, lucramos, duas lendas pelo preço de uma. Além do mais, havia Tony Iommi e Geeze Butler – eterna guitarra e baixo do Sabbath. Tão intenso o carinho da platéia, comportadíssima, que se o Dio já não tivesse subido ao Valhala, com certeza já teria de novo dado as caras por aqui.

Rodeando a fila da entrada, gente instigava a que não entrássemos, não entregássemos nossas almas, ignoramos com todo respeito, arte é arte, rock é rock, e o que vimos, do gênero, foi o melhor, virtuosa performance de uma parte da trilha sonora que embalava aqueles nossos dias. O BS tocou de novo em Porto. Iommi, Butler, e agora o polêmico Ozzy Osborne – vocalista original. Pena, não fui. Aos sortudos que viram, em THE END, o fim do histórico trio, o nosso nostálgico grito de guerra: SABBATH!.

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