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Esta postagem foi publicada em 10 de fevereiro de 2017 e está arquivada em Colunas, Penso, logo insisto.

LES CHEFS DE CUISINE

Do meu tuíter @Plinio_Zingano – Professor recém-formado: sua faculdade foi jornada de conhecimento ou corrida de obstáculo? Na segunda hipótese, seus alunos lamentarão!

Vivemos um fenômeno midiático estranho. Esqueça a definição filosófica da palavra “fenômeno”. Aqui, não há nada de filosófico. Apenas, curioso. Trata-se do grande apelo televisivo despertado pelos concursos culinários. A quantidade de programas, abordando as habilidades dos candidatos em criar/executar refeições, beira, eu diria, o abuso.

Competições exigem um julgador pelo menos, mormente aquelas que não podem estabelecer parâmetros bem estritos de comparação entre os competidores. Numa corrida de 100 m, não há problemas na definição de um vencedor. O primeiro a cruzar a linha de chegada vence. Na hipótese de mais de um competidor reclamar a vitória, também inexiste controvérsia: é só olhar o registro fotográfico da chegada e pronto. Basta fazer o percurso de 100m em menos tempo, descontado algum impedimento legal (doping, por exemplo).

Mas, tratando-se de comida, como julgar um quitute em disputa? Não existem, absolutamente, formas de definir o vencedor. Na verdade, julgamentos musicais, literários, legais, sociais ou de qualquer outro tipo, sempre vão depender das convicções do juiz. Ficamos à mercê dos seus gostos e das suas crenças. Disso, nunca escaparemos e é o que me incomoda nas disputas culinárias na televisão, até pela quantidade delas. Cria-se uma falsa expectativa entre os esperançosos concorrentes. Então vemos dois ou três juízes grosseiros, destratando os participantes. Aliás, penso que na grosseria reside a grande atração dos programas! Só pode! Carne mal ou bem passada – entre milhares de técnicas e ingredientes (principalmente, a odiosa cebola) – depende do gosto pessoal, não devendo, pois, ser usada como norma de excelência na alimentação. Os leitores que acharam estranho eu falar da aparência da carne e emprego da cebola, já podem entender a dificuldade de uma boa decisão nesses concursos! Quantos terão pensado: “esse daí não sabe nada de comida”!

Nem mesmo o mais famoso chef de cuisine do mundo, estará correto ao fazer qualquer comentário abordando um desses milhares de itens. Serão injustos. De minha parte, corrijo essa injustiça, usando a grande arma capitalista eliminadora de erros da famosa “mídia corrupta”: não prestigio os programas. Se ninguém os olhar, eles sairão do ar. Funciona bem assim! Não necessita fazer protestos e abaixo-assinados.

Aproveitando a ocasião, isto serve, também, para o Big Brother Brasil, mesmo não tendo nada a ver com comida (no sentido literal, óbvio!).

DÉBORA REINHEIMER
No começo de 2017, morreu a Débora. Era colega de magistério e querida amiga pessoal, aqui de casa. Além disso, tornou-se minha empresária. A coluna “Penso, logo insisto” existe, desde 2005, porque ela teve a ideia e agiu para a realização do projeto. Sempre agradeci o seu interesse por mim e lamento, intensamente, o seu passamento! Foi um anjo na carreira literária deste cronista!

Os artigos publicados no site da Rádio Taquara não refletem a opinião da emissora. A divulgação atende ao princípio de valorização do debate público, aberto a todas as correntes de pensamento.
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