O ano mal começou e já surgiram as primeiras previsões catastróficas para o fim do mundo, com data agendada para o dia 16 de fevereiro, ou seja, daqui a seis dias. Parece que é mais um daqueles meteoros que vão acertar a terra em cheio, mas também pode ser uma hecatombe nuclear ou um tsunami gigantesco ou nenhuma das alternativas acima.
Prever (ou imaginar) o futuro é necessidade ancestral, mas que no meu ponto de vista não serve para nada. De que me adianta saber que o mundo vai acabar amanhã ou em dez anos? Se acabar, realmente, não há nada a ser feito, a não ser deixar de pagar o cartão de crédito, gastar todas as economias na farra, abandonar o emprego e se deliciar em águas cristalinas nas ilhas do pacífico, se der tempo de pegar o avião e chegar lá, é claro.
O mais curioso nisso tudo é que todas as previsões apocalíticas de fim de mundo proferidas até agora, obviamente, ainda não aconteceram até porque estamos aqui para provar que o mundo ainda existe. Talvez não da forma como gostaríamos, mas está aí, se acabando aos poucos de tanta roubalheira e corrupção. Meteoro que é bom, nada, desde o tempo dos dinossauros.
Enquanto isso, especula-se aqui e ali sobre a forma como isso tudo (o mundo e a corrupção) vai terminar, se é que vai acabar um dia. Para muita gente boa, e ruim também, o mundo já acabou de morte morrida ou matada. Para outras, não há tsunami, atentado, bomba nuclear, Sérgio Moro ou Lava Jato que dê um basta. Essas, fogem na cauda do cometa e ainda nos dão um “tchuauzinho” iluminado pelo rastro da Via Láctea.
E aqui ficamos nós, pobres mortais e morríveis, neste imenso buraco negro esperando o derradeiro fim, enquanto que os videntes deitam e rolam (além de cobrar bem caro), para ver a nossa cara de espanto diante da possível iminência do fim, do propalado juízo final do temível acerto de contas com a dona Morte.
Na dúvida, torço para que tenham errado mais uma vez. Só espero que com alguns anos de prazo, talvez com uma margem de segurança para o planeta até 2090, e não com antecedência. Vai que acabe amanhã e aí essa crônica já estará totalmente defasada.
De qualquer maneira, neste momento nos cabe a árdua tarefa de reiniciar o ano com otimismo e fé, até para quem não pulou as sete ondas, acompanhando o noticiário para saber se este asteroide não desviou a rota e vai passar de raspão ou se já soltaram e absolveram a turma presa na Lava Jato, terminando, aí sim, com a esperança de todos nós, o que seria bem mais catastrófico.
Contrariando as piores previsões, desejo um bom ano a todos, se sobrevivermos a ele.


