Aulinha básica
Respeitar algumas regras básicas de civilidade é o mínimo que se espera de quem vive em comunidade. Curiosamente, há cidadãos e cidadãos, independentemente de classe social. Para alguns, simplesmente vale a sua vontade, em flagrante ignorância daquilo que não lhes interessa.
Tenho testemunhado freqüentemente, nos últimos meses, a falta de respeito de alguns motoristas que circulam nas imediações do prédio onde moro. A rua, sem saída, é literalmente invadida por carros e caminhões que, ignorando as leis de trânsito, estacionam no meio da rua e bloqueiam estacionamento e garagens. E parece que não adianta explicar que aquilo ali é uma rua, porque os motoristas se ofendem com a abordagem e, se bobear, “metem a boca”, como se justificassem de qualquer maneira a infração cometida.
Chego à conclusão, observando exemplos simples como esses, de que o Brasil é mesmo uma farra. Se uma simples lei de trânsito não é observada por motoristas de uma cidade de interior, não é difícil imaginar o que vem acontecendo em todas as esferas políticas ou não. Está aí o Senado para comprovar que tudo é possível.
Mas, já dizia o jornalista Cláudio Abramo, que a ética é do cidadão, portanto… Cabe a cada um agir de acordo com seus princípios, embora, de um modo geral, o que se vê são atitudes cada vez mais anti-éticas, seja na escola, nas empresas, na política, nas relações pessoais. O vale tudo do Senado se aplica também a pequenos atos cotidianos. Basta olhar para o lado.
Se levar vantagem em tudo continua sendo um péssimo diferencial da sociedade atual, então vai complicar ainda mais. Nada pessimista até aqui, apenas a constatação do óbvio. Preparem-se, porque o pior ainda está por vir. Uma geração educada de forma tão individualista pode gerar futuros cidadãos ainda mais corruptos, mais gananciosos, menos humanos, menos gente. Uma frase que circulava na internet dia desses questionava algo assim: Não pergunte que planeta deixará para seus filhos, mas que filhos deixará para o planeta”. É por aí que se transforma uma comunidade, um estado, um país, o mundo. Os que virão dirão por nós.
Roseli Santos
– Jornalista –


