Conte-nos um pouco sobre sua história. De família humilde, frequentei a escola até os 12 anos. Deixei os estudos para trabalhar. Meu primeiro emprego foi como catador de bolas de boliche na Sociedade 5 de Maio. Por mais de 20 anos trabalhei em empresas calçadistas. Na Azaleia tive a oportunidade de cursar supletivo e através de uma bolsa oferecida aos funcionários concluí os estudos aos 27 anos. Em 1997 prestei vestibular para Arquitetura na Unisinos, fui aprovado em 2º lugar. Lembro com carinho que minha professora de química pagou a taxa de inscrição e me levou para fazer a prova juntamente com outros dois colegas. Fiz o vestibular sem ter dormido, trabalhei na madrugada que antecedeu o exame. Mais tarde troquei de curso, tendo me formado em Matemática pela Ulbra.
Fale sobre sua trajetória profissional. Comecei a lecionar em escolas taquarenses logo depois de ingressar na faculdade, na época faltavam professores de matemática. Foram 10 anos trabalhando como professor, atividade que interrompi em 2007 quando minha filha Jenifer faleceu vítima de atropelamento na ERS-115. Eu e a Jenifer éramos parceiros em um projeto social que oportunizava oficinas de hip hop para crianças. Só consegui retomar este trabalho voluntário dois anos mais tarde – quando além de uma necessidade de resolver a indisciplina em sala de aula, enxerguei uma forma de manter viva a memória da Jenifer e a ONG Vida Breve. Em 2010 fui coordenador do “Mais Educação” (programa de turno inverso) no município. No ano seguinte me tornei diretor do Centro Educacional Índio Brasileiro Cezar. Desde 2012 atuo como educador social e oficineiro no Lar Padilha, replicando a ideia do Grupo Aprendizes na casa de acolhimento.
Comente seu envolvimento com projetos sociais. Acredito que o voluntariado é um dom. Tenho essa vocação! Aos 18 iniciei a trajetória em causas sociais como presidente e catequista da Comunidade Católica do Bairro Santa Maria. Uma frase que gosto muito é: “se hoje você não fez o bem para nenhuma pessoa, então não valeu a pena ter vivido esse dia”. Minha motivação para o trabalho social é que foi mudando… Manter a lembrança da Jenifer tem sido a inspiração da nova fase. O desejo de preparar a Viviane Danúbia para seguir o projeto do Grupo Aprendizes é outro incentivo importante.
Como você se define? Idealizo muitas coisas e sou um especialista em recomeçar. A vida me ensinou a recomeçar várias e várias vezes.
O que gosta de fazer no tempo livre? Ouvir música e assistir filmes.
Um filme: Escola da Vida.
O que gosta de ouvir? Todo tipo de música que traga uma mensagem.
Um lugar: Taquara!
O que lhe tira do sério? Injustiça.
Deixe uma mensagem para os leitores do Jornal Panorama: Não existem gênios. Não nascem especialistas. O que ocorre é que uns trabalham mais e outros menos. Se você quer ser melhor no que faz, terá que estudar mais. Na hipótese do amanhã existir é melhor estar pronto! – Esta é a mensagem que tento transmitir todos os dias. Tudo se constrói!


