Você precisa escrever, e vários assuntos passam por sua cabeça, assuntos de todos os tipos, e você os mastiga para lá e para cá, indeciso, até que a musa baixa. E dessa vez a inspiração me veio de uma frase, de uma curta e inesquecível ponta que o grande Juca de Oliveira faz no delicioso filme “De onde te vejo”.
Ele é o dono de um antigo e fechado cinema de calçada que está a vender o imóvel, o belíssimo prédio para a demolição, ele questiona a compradora, se a ela, e a muitos outros, uma das melhores sensações não teria sido a de, após o filme, sair para a rua, para a realidade da vida, e ter a sensação de que a ficção e o real ainda se unem por uma emocionante trilha sonora. Eu, graças a Deus, tive essa sensação, e muitas, muitas vezes: Vitória, Imperial, Scala, Guarani, Bristol, Cruzeiro, e até nos cines de shopping, Bourboun Ipiranga, Viena.
Mas ai é que vem o assunto da coluna, minhas produções, meus projetos audiovisuais. Essa magia que o personagem dele fala procuro levar às pessoas. Adoro fundir música e imagem. Sem querer me gabar, sou ótimo em trilha sonora. Tenho algum material no Youtube, para ver é digitar (LFHAIML). Pena que em certos vídeos, os “donos” das músicas conseguiram silenciá-las. Nunca uso uma música para desmerecê-la, mas por achá-la adequada ao contexto. Fazem tanta b… com as músicas deles, e isso passa batido, mas quando as uso como referências, até para divulgá-las, homenageá-las, surgem tais cortes.
Do que não está no Youtube, tinha um documentário sobre ovnis em Taquara e região, já quase pronto; por essas de computador, perdeu-se, resta algum material, mas começar de novo… Tinha uma ótima adaptação de um conto sobre o duplo, feita na escola, com colegas, alunos, irremediavelmente perdida, jamais será repetida.
Há planos de um documentário sobre o Cine Cruzeiro, uma entrevista com seu Luís Brussius, especialista na demanda climática que anda ocorrendo atualmente ( junto com a colega professora Fabiana Jung), um doc. sobre barbeiros – figuras que remetem a uma gostosa antiguidade, um clip com o Kiko Souza, e, é claro, quem sabe, um novo curta, como sempre pela escola Roger Corman e Ed Wood, ou seja, usando o que der.
A alquimia de mexer com tempo/espaço, capturar os dois, fundir realidades diferentes, a gente faz até com maquininha fotográfica e programa MovieMaker, que é o que uso.


