Porto Alegre ficou de vez multiplanetária: festivais internacionais de teatro e dança, a Bienal de artes plásticas, eventos que reúnem filósofos, escritores e outros intelectuais de fama mundial, festivais/ciclos de filmes de todos os gêneros – clássicos antigos, cinema GLS, cinema por nacionalidade, e por aí vai.
No caso da sétima arte, recentemente estiveram em nossa Capital os memoráveis David Linch e Wim Wenders e, faz pouco, Porto Alegre foi sacudida pelo Fantaspoa, festival de filmes inéditos, mais de 70, inclusive nacionais, temperados pelo suspense, terror, fantasia e ficção-científica.
Com relação a eventos que envolvem cinema, a maioria deles é idealizada/realizada não por instituições culturais, mas por fãs que se reúnem, trocam material e buscam apoio/patrocínio. Festivais como o Fantaspoa mostram/compartilham talentos/curiosidades antigos e recentes que, mesmo com internet, talvez passassem inéditos a um público maior, que só conhece o que vem de grandes estúdios e não tem a chance de ver coisas mais independentes e muitas vezes bem mais criativas.
O Fantaspoa se enraíza em sua organização/andamento a cargo de caras (fãs) que cresceram admirando cineastas como Lamberto Bava, Toobe Hoper, Charles Band, Dario Argento, Ken Russel, David Cronemberg, John Carpenter, Joe Dante e nomes mais conhecidos como Spielberg. Tais cineastas, pelo modo próprio de enquadrarem suas visões na tela, mudaram os rumos do cinema – e isso não só no gênero fantástico. Por trás também temos a literatura, pois tanto fãs quanto cineastas reverenciam por tabela escritores como Poe, Lovecraft, Richard Matheson, King, entre outros.
Além disso, é importante manter viva e registrada a obra de tais mestres – e para isso “a pirataria” é uma das únicas formas de se ter um acervo variado para espalhar, divulgar, compartilhar com outros, a fim de fasciná-los, os encantá-los, os espantá-los, fazê-los saírem do comum.
Quem sabe um dia teremos um Fantastaquara…. O problema é que nossa urbanidade interiorana prefere eventos voltados ao comer e ao beber. Estamos a nos tornar um referencial universitário, é hora então de valorizar mais os outros sentidos – e não apenas os que satisfaçam o bolso, a barriga e a bexiga.
Esta postagem foi publicada em 31 de julho de 2009 e está arquivada em Colunas, Haiml & etc..


