Quando criança, Carina Cristina Iaronka, hoje aos 36 anos, lembra-se de brincar de bonecas e seringas. A atividade recreativa era o sinal para a vocação à enfermagem, área que sempre a encantou. Outra certeza, segundo ela, era a maternidade. Juntamente com o marido André Luiz Homem, com quem está casada há seis anos, planejou o nascimento da Alice, hoje com quatro anos.
A trajetória profissional de Carina começou como balconista em uma farmácia, de onde tirava o salário para pagar o curso Técnico em Enfermagem. Após, batalhou para conseguir custear a faculdade de Enfermagem, na qual se formou pela Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em 2008. Fazia dois meses que tinha concluído a primeira especialização, em Estratégia de Saúde da Família, na Universidade de Ciências da Saúde de Porto Alegre, quando Alice nasceu.
À época, Carina trabalhava apenas na Base do SAMU de Taquara. “Sonho realizado, é a coisa mais maravilhosa que tenho na vida. É o conhecimento do amor verdadeiro, um coração que bate fora do teu peito”. A segunda pós-graduação está realizando em Emergência Adulta e UTI Adulta, pelo Hospital Moinhos de Vento.
Este é o primeiro ano da Alice na escola, que passa as manhãs na companhia da avó Célia. A mãe diz transmitir a mesma formação humana que teve quando criança. Até os sete anos, Carina ficou em casa, sob os cuidados da genitora. Quando está com a filha, diz brincar e conversar sobre o dia. “Tento fazer com que não falte amor em nenhum momento”, pontua. À tarde, ao fim da aula, a enfermeira busca a filha e tenta planejar atividades para as duas.
A maternidade ajudou Carina a ser uma profissional melhor. “Antes, não sabia como é a dor da mãe que traz o filho para ti (no hospital). Tu atendes bem, porque nos propomos a dar o melhor, mas para saber tu tens que viver”, conta, ao ressaltar da empatia que pôde criar com outras mulheres.
A principal semelhança entre a enfermagem e a maternidade apontada por Carina é o zelo para com o outro. A maior recompensa para ela é a gratidão e satisfação dos pacientes, que agradecem com sorrisos e afeto. “Ser mãe é uma coisa sem explicação. E trabalhar com o cuidado não tem preço. Isso é emocionante. É como se o paciente fosse um filho”, comenta.

Parto cercado por profissionais amigos
Durante a gestação da Alice, Carina trabalhava na base do SAMU do Hospital Bom Jesus, serviço pelo qual é a responsável técnica. O parto foi feito em Taquara, por profissionais que eram também conhecidos e amigos de Carina, no dia 8 de fevereiro de 2013. “Foi muito agradável, e com o carinho dos colegas”, comenta.
A enfermagem, para ela, “é amar, cuidar das pessoas com o melhor. Fazer por elas sempre o que tu gostarias que fizessem por ti. É uma escuta, porque às vezes a pessoa só precisa de atenção. É fazer a gestão de uma equipe, para que trabalhem da melhor maneira”, elucida.

Equilibrando as funções
As horas vagas são limitadas e acontecem geralmente em finais de dias e de semana, mas Carina diz aperfeiçoar da melhor maneira para aproveitar a companhia da filha, como em brincadeiras ou em parques. A atividade profissional exige que ela esteja sempre atualizada. “Não podemos parar, precisamos seguir estudando e trabalhando”, comenta. Ela, que atualmente coordena a Emergência do Hospital São Francisco de Assis, reforça o incentivo na área pela qualificação e valorização do profissional.
A enfermeira também fala sobre a importância do apoio do grupo de trabalho, de observar os colegas na mesma sincronia. “A equipe faz a enfermagem ser melhor”, enfatiza, ao comentar ser necessário ter carinho e dedicação para trabalhar na área. “Tu és um pouco mãe no teu ambiente de trabalho, porque tu tens o paciente, que também tem problemas e precisa de ajuda”, completa.
Ontem (12) foi o Dia do Enfermeiro e no sábado (20) da próxima semana será o do Técnico em Enfermagem. Neste período, Carina lembra que o Hospital de Parobé realiza a Semana da Enfermagem, com palestras e eventos aos profissionais em atuação.



