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Esta postagem foi publicada em 15 de maio de 2017 e está arquivada em Penso, logo insisto.

A vida vegetal

Há alguns dias, olhei um programa na tevê, abordando a vida das árvores. Não sobre a existência em si desses vegetais, mas sobre sua vida, digamos, social. Admito, parece uma declaração chocante as árvores terem vida social. Com “vida social”, nossa imaginação poderia pensar em festas promovidas por elas; ou em reuniões para discutir alguma coisa. Fica bem claro ser uma coisa impossível, devido à sua aparente imobilidade tópica: árvores não saem de um lugar voluntariamente. Tal tipo de vida social, parece-me, é prerrogativa do reino animal, embora não consiga imaginar como isso se daria entre, por exemplo, os ornitorrincos. O que, absolutamente, não significa sua inexistência.

Independente destas considerações, acredito na existência desse tipo de vida, não só no referente às árvores como, de maneira geral, a todos as outras formas do reino vegetal. Para não passar por um daqueles sonhadores crentes em supravidas, o que de fato, definitivamente, não sou, pergunto a cada leitor: você tem ou conhece alguém que tenha “mão para plantar”? Você tem ou conhece alguém com o dom de falar com as plantas e ser ouvido por elas? Pois é, estamos cheios de histórias comoventes focadas neste assunto. Há plantinhas, até, tratadas com música da melhor qualidade já produzida pelo espírito humano, ouvindo Bach, Mozart, Vivaldi e quantos mais! Eu próprio, das poucas habilidades das quais possa me gabar, ter mão para plantar é uma. As plantas sentem o meu – modéstia à parte – bom coração e nascem viçosas para alegrar meus parcos jardins, às vezes reduzidos a uma simples floreira, como é, hoje, o “jardim da vovó Caime”, adorado pela Betina, minha neta.

Sim, existe muita vida além dessa que, automaticamente, vem à nossa lembrança quando mencionamos a palavra. Os vegetais fazem parte do conceito geral. Isso significa: quando nos colocamos em defesa de uma espécie, estamos preterindo outras. O mesmo vale para os reinos. Ao defendermos um, estaremos, em última análise, agredindo outro (inclusive, o mineral). Lamentavelmente, não existe a sonhada grande harmonia entre os seres do planeta. Para a sobrevivência de uma unidade, outra será sacrificada. Se alguém pensar em não comer carne para proteger a vida de um animal, não há problema, ninguém tem nada a ver com isso. Porém, algo deverá ser ingerido para a manutenção de sua vida. Provavelmente, um vegetal que, como vimos, também é um ser vivo.

Voltando aos ornitorrincos, não esqueçam: é um mamífero cujos machos produzem um veneno de efeitos dolorosíssimos, permanecendo ativo por meses!

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