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Senhora de 106 anos esbanja vitalidade e boas condições físicas

Centenária está morando em Taquara há mais de um mês

Os cabelos grisalhos e as marcas de expressões de Maria Glória Rechembach revelam que a senhora chegou à terceira idade, mas não são suficientes para deduzir a idade da ilustre moradora de Taquara. No dia 15 de julho, ela completará 106 anos, e, apesar dos sinais físicos, a mulher conserva audição, lucidez e energia como poucos. A força é tanta que a centenária suportou uma viagem de 12 horas e de 700 quilômetros entre Barracão, município no sudoeste do Paraná, antigo endereço, até Taquara, onde está morando há um mês.

O dedo anular da mão esquerda conserva a aliança do primeiro e único companheiro da vida de Maria Glória. O casamento com Ari Pires de Oliveira foi cedo, aos 14 anos, e com ele teve a pri­meira filha, Loreni, aos 15. Depois vieram Loreci, Irani, Joelci, Joeli, Joraci, Iraci, Erci, Cleci e Edi. Todos estão vivos, e nasceram de parto natural – dois deles, Maria deu a luz sozinha. O esposo faleceu há quase cinquenta anos, em razão de um derrame. Desde então, a senhora afirma que Cristo é seu marido.

A centenária já passava dos 80 anos quando foi ao médico pela primeira vez. Foto: Cristiano Vargas

Órfã de pai desde um ano de idade, foi criada pela mãe, Rachel Rechembach, que teve um segundo marido e outros três filhos. A relação com o padrasto não era das melhores, o que levou Maria a desejar casar e sair de casa. Natural de Soledade, no norte do estado, ela morou durante anos em Palmeira das Missões. A senhora dividia as tarefas do lar com o trabalho na roça, enquanto o marido servia em serra­rias. Alguns anos depois, Ari passou a lecio­nar como professor e Maria, a lavar roupas para fora. O casal e os filhos mudaram para o Paraná há mais de 65 anos.

Força e destreza para passar a vassoura de palha em casa. Foto: Cristiano Vargas

Os ouvidos afiados dela não deixam passar nenhuma conversa. Sempre atenta, conta nunca ter usado aparelho auditivo ou óculos de grau. Os olhos azuis bem abertos fitam com paciência os que a cer­cam. Aos poucos, revela mais um trecho da vida. Lamenta não ter estudado na infân­cia. Quando adulta, apesar de estar casada com um educador, Maria estava sempre envolvida com os afazeres, e o marido com as coisas da escola.

O chimarrão antes do café da manhã é sagrado todos os dias. Conta despertar por volta das 7 horas, e ajudar nos afazeres domésticos. “Eu gosto de fazer o serviço. Me criei assim”, defende, mesmo a contra­gosto da nora e do filho, que preferem que a senhora evite os esforços. Muito hábil, percorre o chão com a vassoura de palha e em poucos instantes conclui a tarefa.

Maria diz não comer muito no almoço, e preferir um prato de feijão com arroz acompanhado de carne de frango ou gado. À tarde, faz um lanche, por volta das 18 horas, antes de dormir, cerca de 19h. Com disposição e crença, a centenária se ajoe­lha à beira da cama todas as noites para orar a Deus. Só então deita e dorme. A fé é apontada também como responsável pela saúde física. A primeira vez que esteve em um hospital, tinha mais de 80 anos.

Na televisão, a única coisa que gosta de assistir é ao telejornal. Os hinos de igreja tocam constantemente no rádio da família, e lembram a época em que Maria fazia parte do círculo de oração da Igreja Evangélica Assembleia da Missão. Uma de suas vontades é de arrumar os dentes, principalmente os da arcada superior, o que facilitaria a mastigação. A única falta é a dos filhos, que moram nos estados do Sul. Apesar da saudade, diz estar gostando de morar em Taquara, e ter sido bem recebida pelos moradores locais. “É bom viver aqui”, comenta.

 

Filho casará no próximo mês

Joelci e Romilda se conheceram através do irmão dela. Foto: Cristiano Vargas

Faz pouco mais de um mês que Maria Glória veio com o filho Joelci, 66 anos, morar em Taquara com a nora Romilda Hahn, 71 anos. Joelci e Romilda estão de casamento marcado para o próximo dia nove, com direito a cerimônia religiosa e civil. A união foi interme­diada pelo irmão de Romilda, Elci Hahn, que conhecia Joelci. O casal passou a trocar conversas por telefone, e há um mês, Joelci tomou a decisão de vir embora com a mãe para cá. Romilda é viúva de dois maridos e divorciada do último companheiro. “Não nasci para vi­ver sozinha”, brinca. Joelci é divorciado há mais de dois anos. O casal experiente tem filhos, netos e bisnetos, e agora inicia uma nova relação matrimonial. Maria apro­va a união. “Se estão se acertando, espero que vivam juntos a vida.”