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Esta postagem foi publicada em 26 de maio de 2017 e está arquivada em Penso, logo insisto.

A EDUCAÇÃO FOI PRO SACO

Do meu tuíter @Plinio_Zingano – A verdade sempre tem dois lados! A mentira, milhares.

Por favor, não me julguem um grosseiro por dar este nome ao meu comentário de hoje. Aliás, é, justamente, sobre grosseria o texto de hoje.
“Ir pro saco” é uma forma eufemística de anunciar a morte de alguém – eufemismo é quando a gente trata de um assunto desagradável sem querer usar a palavra fundamental na mensagem. Tem várias supostas origens, todas ligadas ao fato de cadáveres serem colocados em sacos para transporte ou rearranjo de ossos em sepulturas exumadas. A “educação” mencionada não se refere à organização educacional que inclui escolas, mas àquele conjunto de atos advindos da observância de alguns preceitos básicos, permitindo uma melhor convivência social. Ou seja, quando falamos que alguém é um mal-educado, não estamos negando a escolaridade desse alguém. Estamos, isto sim, ressaltando a falta de civilidade demonstrada em seus atos e palavras. Em suma, estamos nos referindo a pessoas e atos grosseiros.
Feito este preâmbulo, comento a inspiração para esta crônica. Nem sempre a palavra inspiração trata de assuntos românticos e poéticos. Vamos aos fatos!
A respeito da atual situação brasileira, no Facebook, tenho vivido momentos frustrantes. Minha vaidade e meu orgulho (normais quanto de todas as pessoas) têm sido vilipendiados com os mais impiedosos achaques, como se eu fora a mais desprezível criatura aparecida na face da Terra, mesmo considerando os dinossauros e a serpente do Éden. Termos como “burro”, “estúpido”, “débil mental”, “analfabeto político” são alinhados a ameaças do tipo “vai pagar por isso”. E, pior de tudo, são palavras escritas, muitas vezes, por amigos ou por eles compartilhadas. Os autores que, provavelmente, de maneira voluntária, poucos livros abriram em sua vida, indagam, arrogantemente, se eu nunca li um livro de História.
Certo, não são escritas para mim diretamente, mas, como me enquadro no perfil genérico a quem elas se dirigem, devo tomar – e tomo – pelo lado pessoal. Só para ilustrar meus espanto e decepção, conto o caso tragicômico de uma ex-aluna. Na mesma semana de uma consulta sobre determinado assunto de escrita, fazendo-me elogios dignos de elevar minha vaidade bem acima da das outras pessoas, no quesito inteligência e protestando amizade eterna pela minha capacidade letiva, postou uma catilinária que quase me forçou a pedir perdão por ter nascido.
Carinhas, se não pudermos ter nossos próprios pensamentos, mesmo diferentes dos dos outros, terá terminado aquilo que muitos dizem estar querendo preservar. E os tais livros de História mostrarão mais algumas páginas cruéis sobre falta de democracia.

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