O acordo de leniência da JBS na Lava Jato reforça e aprofunda, cada vez mais, a vergonhosa condição a que chega o ser humano em nome da ganância. O deboche escancarado, a desfaçatez, a obscenidade dessa gente, tudo farinha podre do mesmo saco, justifica-se em fitas e mais fitas de delações, tão criminosas quanto os delatados.
Pior do que a ganância, ou talvez por causa dela, surge o desesperado apego a essa “entidade” chamada poder. Em nome dele é que agem em benefício próprio e de seus protegidos esses que aí estão delatando e roubando uma Nação, certamente sorrindo aliviados, neste momento, em algum resort em Miami, com as sungas recheadas de dólares.
Enquanto isso, na Terra Brasilis, depois que “nos descobriram” há 500 anos, dizimaram nossos índios e usurparam todas as nossas riquezas (em nome da ganância e do poder, é claro), já nem se fala mais em independência, mas em morte certa. Só não sei se vai acabar como um grande desfile de carnaval que se desfaz na quarta-feira de cinzas ou com a Lava Jato. Pode ser que tudo termine em pizza, também, enquanto alguém grita desesperada e pateticamente “ Independência ou Morte, em frente ao Palácio do Planalto, onde os fantasmas se divertem.
E assim assistimos, entre chocados, pasmos, incrédulos, revoltados ou, simplesmente, já quase anestesiados, aos telejornais para descobrir, além de tudo, que até as tradicionais Havaianas agora soltam e deformam as tiras. É o fim!
Nos tiraram o chão e agora, os chinelos. A carne é fraca e nem a Doriana escapou. Andamos sem Vigor e nenhum Banco Original pode nos salvar. Agora é tarde. Sniff, Swift….!
De tudo isso, a mobilização por um boicote contra marcas construídas em cima da desgraça de um país, com a conivência de seus governantes, enche as redes sociais de indignação, mas, ainda míope de cultura, reflexão e discernimento, não creio que a população, em sua maioria, consiga dar um brado retumbante.
E como num desabafo desanimado e saudosista, uma amiga lamentou, dizendo que vai usar suas Havaianas e o seu Mizuno até gastar.
Isso se o país não acabar, antes, minha amiga!
Que chinelagem…
Esta postagem foi publicada em 26 de maio de 2017 e está arquivada em Paralelas.


