Quais são as lembranças marcantes sobre sua história? Sou natural de Campo Bom e minha vivência com plantas medicinais data da época da infância, no convívio com meus pais, avós e alguns tios que faziam uso de remédios naturais para a cura de males daquela época. Em 1960, fui morar em Santa Maria, onde conheci um casal de amigos austríacos, que eram defensores da agricultura ecológica. Nesta convivência, aprendi muito sobre alimentos saudáveis e produção sem químicos. Fui residir em Igrejinha em 1981, época em que ingressei no curso de Serviço Social, na Unisinos, e conheci o padre Clemente José Steffen. Este mestre me transmitiu, ao longo de 17 anos, uma gama enorme de conhecimento sobre plantas medicinais. Em 1989, fui nomeado secretário da Saúde e Assistência Social de Igrejinha. Assumi o mesmo cargo em 1995 em Riozinho, e tive a oportunidade de participar em Fortaleza, no Ceará, do Congresso para Secretários Municipais de Saúde das Américas. Conheci um projeto sobre as farmácias vivas, conduzido pelo professor de Farmácia José Abreu de Mattos. De lá, trouxe muitos conhecimentos e ideias para Riozinho, e implantamos no município o Projeto Carqueja.
Conte-nos sobre a criação do Horto Alecrim: Alecrim significa alegria, pois estou sempre alegre. O horto é didático, com o nome e o uso das plantas. Fica na rua Boa Vista, no Centro. Ali, recepciono pequenos grupos para ministrar oficinas sobre o uso de plantas medicinais e confecção de vários produtos. Qualquer pessoa pode visitar.
O que significa trabalhar com fitoterápicos? Quando você faz uma coisa com prazer, sem pensar no lucro, nada é sacrifício. A gente tem que dar atenção a três coisas importantes: o corpo, a mente e o espírito. A natureza tem tudo que precisamos, as plantas, as frutas, o barro.
Qual é a maior lição do uso das plantas no combate às doenças? O custo dos medicamentos convencionais é caro para o poder público. O fitoterápico é uma alternativa mais acessível e saudável.
Como foi receber o convite para ser patrono da 17ª Feira do Livro de Igrejinha? Não esperava, foi uma grande surpresa que me deixou muito feliz. Sou uma pessoa simples, e nada vai mudar minha personalidade, continuarei sendo o Tio Telmo de sempre.
O livro “Ervas & plantas medicinais: do empírico ao científico” está na quarta edição. Conte sobre ele? O segredo do livro é que não tem termos técnicos, mas uma linguagem de fácil compreensão. Ali você encontra as plantas e as doenças que podem ser combatidas com elas.
Como você se define? Sou um raizeiro. Tento passar o conhecimento que tenho para frente, para as próximas gerações.
Deixe uma mensagem aos leitores do Panorama: Ainda dá tempo de acordarmos para as coisas que estão acontecendo no mundo. Meu sonho é que as pessoas mudem o estilo de vida, que as minhas palestras possam as motivar para isso.
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